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<!-- RSS generated by Revista Eletronica do Vestibular da UERJ - Thu, 18 Mar 2010 03:03:25 -0300 -->
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<title>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ - Feed RSS</title>
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<description>DSEA - UERJ</description>
<language>pt-br</language>

		  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=12">Uma questão de prova não se constrói no vazio (22/01/2010)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Uma questão de prova não se constrói no vazio]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=12</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Há muito constatamos a pouca atenção destinada ao processo de preparação de provas e, especialmente, a uma das fases desse processo: a formulação de questões. Em concursos públicos, vestibulares, provas escolares e outras aferições, é comum observar questões formuladas sem a utilização de técnicas apropriadas, parecendo não haver mesmo um conceito de medida e de avaliação que as fundamente.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como medida e avaliação mantêm estreita relação, é possível aquilatar os prejuízos causados a quem se submete a um instrumento de medida inadequado. Se medir é colher e ordenar informações, considerando o aspecto quantitativo, e se avaliar é dar significado ao que foi medido, é refletir sobre os resultados da medida, como julgar com isenção o resultado de um instrumento de medida feito sem planejamento, sem definição de objetivo, sem critérios de escolha de conteúdo? O professor em geral apoia-se basicamente em provas para referendar suas avaliações, portanto, é imprescindível que ele possua a habilidade de elaborar essas provas.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Há duas etapas que consideramos essenciais no processo de elaboração de uma prova – etapas, muitas vezes, descartadas pela tentação de utilizar questões de fácil formulação e com assuntos nem sempre relevantes. São elas:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">1. Definição clara do propósito da prova: para que esta prova? (trata-se de um concurso público ou de um exame de término de unidade, por exemplo?) o que medir nesta prova? que diferença ela expressará entre o ontem e o hoje? A cada uma dessas respostas corresponde um tipo de prova, que deve fornecer, num mínimo de tempo, o máximo de informações sobre o desempenho de um indivíduo.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">2. Especificação dos objetivos ou dos comportamentos ou das competências / habilidades a verificar. Aqui, o professor deverá arrolar tudo que pretende aferir, definindo em que níveis cognitivos estarão as suas questões. Numa abordagem mais simplificada, pode-se utilizar a classificação das competências / habilidades em cinco níveis – observação, interpretação, análise, avaliação ou criação –, distribuindo, de forma equilibrada, os conteúdos a serem abordados em cada um. Esta&nbsp;etapa tem relação direta com a formulação propriamente dita de questões com qualidade.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Este é um tema que pretendemos aprofundar em outros artigos. É fundamental, porém, lembrar&nbsp;sempre que prova alguma poderá ser inteiramente satisfatória se partir do vazio. Uma prova, para contribuir com a construção e apropriação do conhecimento, deve ter relevância nas competências / habilidades a serem aferidas, significância nos conteúdos escolhidos e engenho na sua elaboração.</p>]]></description>
		<author>Elisabeth Hadad Murad</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=12</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=11">O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte I) (29/09/2009)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte I)]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=11</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O convite para escrever nesta revista eletrônica muito me honrou e desejo aproveitá-lo para abordar um tema bastante relevante para a comunidade envolvida com os vestibulares. Jornais e revistas constituem, juntos, excelentes recursos pedagógicos e, como tal, são também instrumentos utilizados nas provas de diversos vestibulares (especialmente, nas provas de redação e nas provas das disciplinas da área de ciências humanas).&nbsp; </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A preparação para o vestibular requer atenção no uso desses recursos, tanto da parte dos alunos, quanto da dos professores em sua ação didática no ensino médio. No interior desta temática, merecem destaque duas linhas de reflexão: <b>a importância da leitura e da utilização de jornais e revistas na formação do indivíduo</b>, o que envolve a construção do conhecimento, e <strong>os </strong><b>cuidados que devem ser observados por docentes e discentes quando&nbsp;esses veículos de comunicação são incorporados</b>&nbsp;na prática pedagógica e em questões de provas. Abordarei a primeira dessas duas linhas de reflexão, deixando a segunda para a próxima coluna. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">É imperioso ressaltar a importância do ato de ler na formação mais geral do indivíduo. Como revela o saudoso pedagogo Paulo Freire, o ato de ler não se esgota na decodificação pura e simples da palavra escrita, mas alimenta e amplia a compreensão das coisas e do mundo. Logo, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, mas se alonga ao incorporar uma representação do mesmo no texto escrito, tendo como referência&nbsp;um dado contexto histórico. Linguagem, representação e realidade se prendem dinâmica e mutuamente. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No conjunto das práticas leitoras, não é possível prescindir de textos como os científicos e os&nbsp;de ficção. No entanto, ler continuamente jornais e revistas com seriedade é tarefa necessária.&nbsp;Vários são os argumentos de defesa para a utilização desses recursos.&nbsp;Detenho-me em dois a seguir. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><b>A&nbsp;leitura de jornais e revistas facilita a atualização sobre a dinâmica dos acontecimentos e promove o enriquecimento do debate sobre temas atuais.</b></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A rapidez com que a notícia é veiculada por esses meios é clara, garantindo a complementaridade da construção do conhecimento promovida pelas aulas e pelos livros didáticos. O apoio didático representado pelo uso de jornais e revistas aproxima os alunos do mundo que os cerca. Salvo alguns cuidados, que serão abordados na próxima coluna, o discurso jornalístico&nbsp;propicia uma relativa aproximação com a intenção de veracidade e&nbsp;objetividade, já que, muitas vezes, apresenta um caráter documental com registro histórico da atualidade dos fatos, apresentando análise de acontecimentos importantes da dinâmica social, política e econômica, nas escalas local, regional, nacional e internacional. &nbsp; </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><b>As características de diversificação e de atualização dos conteúdos, apresentados com linguagem concisa e de forma transdisciplinar, são atributos que ajudam no aprimoramento da crítica e da capacidade de fazer escolhas</b>. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O desenvolvimento dos processos de aprendizagem, com o permanente uso desses veículos, possibilita exercitar as capacidades de atenção, observação, interpretação, síntese, análise, associação, comparação, o que aprimora o poder de argumentação e de crítica. A simples seleção do que usar dos jornais e revistas já representa um recorte crítico e participativo do que interessa na preparação para os vestibulares. Ao buscar as notícias e reportagens que interessam, ignorando outras (isto é, ao editar a leitura), já há estímulo à tomada de decisões, a partir de um processo de seleção. Iniciando por esse estímulo e incorporando novos conhecimentos no processo de aprendizagem, se desenvolve a capacidade de questionamento sobre&nbsp;que&nbsp;representação do real é veiculada –&nbsp;e sobre como é veiculada –, favorecendo a formação de opinião. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Logo, para concluir este primeiro texto sobre o tema, o posicionamento crítico embutido na competência da leitura aponta para a construção da cidadania. Isso denota que o uso de jornais e revistas é indispensável no processo educativo, principalmente no momento histórico atual,&nbsp;em que a velocidade e a instantaneidade são marcas evidentes no mundo.</p>]]></description>
		<author>Ana Regina Bastos</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=11</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=10">O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte II) (29/09/2009)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte II)]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=10</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Dando continuidade ao tema abordado na coluna anterior, tratarei aqui de alguns dos&nbsp;<strong>cuidados que devem ser observados por docentes e discentes a respeito do uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular</strong>.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Da mesma forma que os discursos científicos e literários, os textos jornalísticos constroem representações do real, a partir de vivências e experiências dos parceiros do discurso - autores e leitores. Sendo um resultado de escolhas, o discurso é sempre parcial, seja ele literário, científico ou jornalístico. Não há neutralidade no ato de produção e consumo dos textos: eles são ideologicamente informados. Tanto autor quanto leitor, portanto, constroem as representações do real, de acordo com dada concepção de mundo – com base em opção ideológica. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No caso do uso de textos de jornais e revistas na prática pedagógica, há que se considerar as posições diferenciadas das empresas jornalísticas. Nesse sentido, cabe a citação de um trecho de Demétrio Magnoli no livro <em>O mundo contemporâneo</em> (Editora Moderna, 1997): <em>Realmente, política e ideologia estão presentes na organização de todo o noticiário, que não é "neutro" ou "objetivo". O jornal, ao contrário do que apregoa a teoria da objetividade jornalística, engaja-se na divulgação de uma concepção de mundo. Ele não é "espelho do mundo", mas um aparelho produtor de interpretações do mundo.</em></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Levando isso em conta, toda atenção é pouca no uso do recurso no processo de preparação para o vestibular. Não se pode tomar como verdade absoluta os conteúdos presentes em jornais e revistas, ainda que eles sejam muito proveitosos no processo de formação do indivíduo, do ponto de vista da construção cidadã. Professores e alunos precisam entender que a base da construção do conhecimento não está no simples uso desses veículos. Eles são, simplesmente, um apoio importante na ampliação dos conteúdos, das competências e das habilidades inerentes ao processo educativo. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A utilização de jornais e revistas em aula é um recurso que ajuda o aluno a sistematizar seu “olhar” sobre os textos, de modo a obter o máximo de envolvimento e aprendizado. É preciso, porém, tomar alguns cuidados técnicos, e aqui me dirijo especialmente aos docentes, de forma a não desperdiçar uma atividade potencialmente rica e cativante, transformando-a em algo sem significado e com resultados pedagógicos pífios. O primeiro desses cuidados é o de verificar atentamente se o material possui relação estreita com a temática em debate. O objetivo é não submeter os alunos à leitura de um texto do qual apenas uma fração tem relação significativa com o conteúdo em pauta. É preciso verificar se a quantidade de informações, nexos e questionamentos são relevantes para os objetivos que estão sendo trabalhados. Atenção deve ser dispensada ao “foco” das atividades propostas. Elas não devem ser tão objetivas a ponto de se transformarem em módulo instrucional mecânico e desinteressante, nem “abertas” demais de modo que o tempo disponível se torne insuficiente. Um segundo cuidado técnico diz respeito à adequação da linguagem em relação aos alunos para os quais será proposta a atividade. Se necessário, deve-se fazer a adaptação do texto ou acrescentar um pequeno glossário para sua melhor compreensão.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Tomados esses cuidados, é importante lembrar que matérias de jornais e revistas podem servir a diferentes propósitos. Um procedimento interessante é organizar um roteiro de atividades a serem desenvolvidas a partir do material de leitura. É claro que esse roteiro dependerá dos objetivos que levaram à decisão pelo uso do material. No caso do texto de jornais e revistas servir como elemento de estímulo a uma aula, pode não haver necessidade de um roteiro, mas apenas de uma pergunta introdutória cuja resposta venha a ser obtida a partir do desenvolvimento da aula. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Esse tipo de texto também pode ser parte integrante do desenvolvimento do tema abordado ou, ainda, ajudar a encaminhar a conclusão do assunto, sob a forma de avaliação de aprendizado. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Há um outro aspecto que também merece atenção.&nbsp; Nem sempre, na preparação para o vestibular, professores e alunos devem tomar as informações de jornais e revistas como objeto em si. O conteúdo veiculado não é, necessariamente, o objeto, nem o objetivo, para a elaboração de questões de provas dos vestibulares ou para aquelas que simulam as do vestibular, nem garante boas respostas dos alunos a essas questões. Quando o recorte de textos jornalísticos aparece nas provas como objeto, isso se dá mais para aferir competências e habilidades necessárias à continuidade dos estudos em nível superior do que para aferir conteúdos sofisticados. Além disso, é possível aparecerem trechos de jornais e revistas no suporte das questões de provas de alguns processos seletivos que são desnecessários e nada têm a ver com o comando das questões; são usados para “a prova ficar bonita”, sem nenhuma relevância na cobrança.&nbsp; Professores devem estar atentos para o fato de que o conteúdo de trechos jornalísticos apresentados nos suportes de questões pode ser um motivador, mas não mera ilustração, para o comando das questões. Estas devem ser elaboradas em sintonia com o seu objetivo de aferir conteúdos, competências e habilidades. Já os alunos devem estar atentos para o fato de que suas respostas às questões devem demonstrar tanto suas capacidades de interpretar, sintetizar, analisar, estabelecer comparação, criticar e tomar decisões, quanto seu domínio referido a um saber consolidado, desenvolvido no processo de ensino-aprendizagem. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Para finalizar, ressalto, mais uma vez, que o caráter de representação da realidade presente nos textos jornalísticos e os aspectos técnicos relacionados à prática pedagógica consciente merecem atenção. Para isso, não se pode deixar de lançar desafios à imaginação, à criatividade e à capacidade analógica, sob pena de limitar as potencialidades do recurso. </p>]]></description>
		<author>Ana Regina Bastos</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=10</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=9">A Literatura e o ensino de outras disciplinas escolares (29/09/2009)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - A Literatura e o ensino de outras disciplinas escolares]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=9</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Tanto os textos científicos como os de ficção são instrumentos úteis no processo de construção do conhecimento e da capacidade de percepção. Isso me faz lembrar momentos muito ricos da minha experiência de adolescente em que eu alongava o tempo dedicado à leitura dos clássicos de nossa literatura. Machado de Assis, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e, mais adiante, o poeta Drummond impregnavam a minha emoção com uma representação de Brasil e do brasileiro que jamais pude abandonar. Quando, já adulta, fui fazer o mestrado em Geografia Humana, escolhi fazer uma dissertação que abordava, na perspectiva do ensino, a relação entre Geografia e romance. Adotando a orientação de que a linguagem não é simplesmente um meio de expressão, mas um meio de comunicação, vivências e experiências a partir dos discursos científicos e literários se mesclaram, resultando num trabalho que muito me gratificou. Considerando este adendo, vamos ao que interessa afirmar: <b>a literatura amplia a percepção do mundo e enriquece o ensino de outras disciplinas escolares. </b></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Da mesma forma que os discursos científicos, <b>os textos literários constroem concepções do real</b>, segundo vivências e experiências dos parceiros do discurso (autores e leitores); logo, nada mais são do que representações do real. Assim, muitos teóricos, ao considerarem que o significado não é algo inerente ao texto, afirmam que as significações devem ser remetidas às relações entre esses parceiros. Na relação entre produção e leitura, as significações se dão mediante o confronto da dimensão histórica do leitor com a do autor. No processo dialético entre texto e leitura, às vezes, é difícil a um leitor elaborar significações próximas às imaginadas pelo autor, tendo em vista os diferentes tipos de experiências pessoais e sociais. Escritor e leitor trabalham produzindo e consumindo continuamente. O escritor consome experiências e vivências – emoções, linguagem, memória – e produz o texto, fruto de um complexo sistema de opções determinado por seus valores. O leitor também consome e produz no ato da leitura: consome o texto objetivado pelo escritor e produz significações para o mesmo. Como um resultado de escolhas, tanto autor quanto leitor, a partir de suas experiências e vivências, constroem as representações do real, de acordo com dada concepção de mundo. Portanto, o discurso não é neutro. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Considerando as premissas teóricas aqui explicitadas, é possível vislumbrar uma contribuição ao ensino de várias disciplinas escolares, como Geografia, História, Sociologia, a partir das leituras de romances de autores brasileiros. Alunos e professores das disciplinas da área de ciências humanas podem e devem utilizar a literatura para discutir a realidade brasileira ao longo do processo histórico. Com certeza, a análise da intensificação das relações capitalistas em meados do século XX encontrará, em romances de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e Jorge Amado, um rico material para reflexão; já a abordagem do espaço urbano terá nas obras de Machado de Assis, Lima Barreto e João do Rio um instrumental útil para debate. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Discutir a realidade brasileira, por meio de romances, lembra-nos afirmações de Octávio Ianni em <i>A idéia do Brasil moderno</i> (1992): “<i>acontece que a nação é real e imaginária. Localiza-se na história do pensamento. Está no imaginário de uns e outros: políticos, escritores, trabalhadores do campo e da cidade, brancos, negros, índios e imigrantes, cientistas sociais, filósofos e artistas. E seria muito outra, se não se criasse de quando em quando, na interpretação, fantasia, imaginação. (...) No emaranhado dos desafios que compõem e descompõem o Brasil como nação, as produções científicas, filosóficas e artísticas podem revelar muito mais o imaginário do que a história, muito menos a nação real do que a ilusória. Mas não há dúvida de que a história seria irreconhecível sem o imaginário. Alguns segredos da sociedade se revelam melhor precisamente na forma pela qual aparecem na fantasia. Às vezes a fantasia pode ser um momento superior da realidade”. </i></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O imaginário que se opera através do discurso veiculado pelos romances da literatura brasileira facilita o processo de ensino-aprendizagem de várias disciplinas, empreendendo um “pulsar de vida” no público adolescente a que se dirige. O uso de romances poderá ajudar o processo de apreensão da realidade social. A partir dos romances é possível percorrer a sociedade e a época em que foram produzidos. O conhecimento da sociedade&nbsp;–&nbsp;sua organização, seus valores, sua estrutura, sua produção cultural e sua história – é veiculado pelo texto literário, facilitando e estimulando a pesquisa de conteúdos de disciplinas escolares como História, Geografia e Sociologia. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em muitos momentos da produção ficcional brasileira, há uma analogia entre linguagem literária e as ciências sociais na busca de uma afirmação da identidade nacional, de forma a se representar o real com “olhos de brasileiros”. Produções das décadas de 1930 e 1940, por exemplo, dão ênfase às atividades econômicas daquele momento histórico. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Romances do ciclo da cana de José Lins do Rego expressam a representação da desintegração da sociedade na Zona da Mata nordestina, assim como na produção literária de Jorge Amado apresenta um registro que se pretende fiel do ciclo do cacau. Traçando o perfil da grande propriedade rural do Nordeste nos momentos de apogeu, crise e decadência, José Lins do Rego vai ao passado glorioso do engenho, por meio da memória. Amado, utilizando a lógica dialética, faz uma representação da realidade brasileira na perspectiva revolucionária. Em romances sobre o tema da seca nordestina, Rachel de Queizoz (<span style="TEXT-DECORATION: underline" class="Apple-style-span">O quinze</span>), Graciliano Ramos (<span style="TEXT-DECORATION: underline" class="Apple-style-span">Vidas secas</span>) e Jorge Amado (<span style="TEXT-DECORATION: underline" class="Apple-style-span">Seara vermelha</span>) apresentam a relação homem-natureza no sertão semi-árido, de forma a desmitificar a idéia de que a seca, como fenômeno natural, é responsável pelo atraso do sertão. Já Graciliano Ramos, em <span style="TEXT-DECORATION: underline" class="Apple-style-span">São bernardo</span>, lida com temáticas de ordem sociológica e psicológica, representando o apogeu e crise do grande proprietário, na ânsia do lucro diante da lógica capitalista. Logo, esses romances contribuem para representar, de maneira “fotográfica”, a realidade brasileira de forma documental, com denúncia social, o que ajuda na construção da identidade nacional. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Para concluir, podemos afirmar que os romances da literatura brasileira podem servir para enriquecer o processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos de outras disciplinas escolares, visto que a produção científica pode realizar um salto qualitativo onde for possível incluir uma leitura subjetiva e cultural que se some à crítica política e econômica – mais objetiva. Finalizo com uma proposta aos docentes e discentes do ensino médio: que se experimente a aproximação da Literatura com as disciplinas História, Geografia e Sociologia. </p>]]></description>
		<author>Ana Regina Bastos</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=9</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=8">Um passeio histórico pelas resoluções de equações algébricas de graus 2 e 3 (03/08/2009)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Um passeio histórico pelas resoluções de equações algébricas de graus 2 e 3]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=8</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>As equações polinomiais de grau 2</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por volta de 809-833 d.C., estabeleceu-se em Bagdá uma “Casa da Sabedoria”, comparável ao antigo museu de Alexandria. Entre os mestres que a frequentaram, houve um matemático e astrônomo chamado Al-Khowarizmi, cujo nome iria tornar-se familiar na Europa Ocidental, como o de Euclides (360–295 a.C.).</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Al-Khowarizmi escreveu dois livros sobre aritmética e álgebra, que tiveram papel muito importante na história da matemática. Em <em>Sobre a arte de calcular hindu</em>, fez uma exposição bastante completa dos numerais hindus. Essa obra, ao que tudo indica, baseou-se em uma tradução árabe do tratado de 628 de Brahmagupta, que viveu na Índia Central, o que, possivelmente, gerou a impressão bastante difundida, porém errônea, de que nosso sistema de numeração é de origem árabe. Nosso sistema de numeração para os inteiros é apropriadamente chamado indo-arábico, para indicar sua origem provável na Índia e sua transmissão através dos árabes.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os árabes buscavam, em geral, uma apresentação clara, indo da premissa à conclusão, e também uma organização sistemática – pontos em que nem Diofante de Alexandria (cerca de 221-305 d.C), às vezes chamado de pai da álgebra, nem os hindus se destacavam. Os hindus eram hábeis em associação e analogias, com intuição apurada, ao passo que os árabes tinham um enfoque mais prático na sua abordagem matemática.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A tradução latina da <em>Álgebra</em> de Al-Khowarizmi se inicia com uma breve explanação do princípio posicional para números. Em seguida, passa-se à resolução, em seis capítulos curtos. Os três últimos capítulos são mais interessantes, pois abrangem sucessivamente os casos clássicos de equações quadráticas com três termos, em que as soluções são dadas por regras elementares para “completar o quadrado”, aplicadas a exemplos específicos.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Com base nesse método de completar o quadrado proposta por Al-Khowarizmi, podem-se encontrar as raízes de uma equação polinomial de grau 2, dada por <img width="110" height="16" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 110px; HEIGHT: 16px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas26.PNG" />, sendo seus coeficientes, <em>a</em>, <em>b</em> e <em>c</em>, números reais com <em>a &#8800; 0</em>. Observe:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><em><img width="110" height="16" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas26.PNG" /></em></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Divide-se toda expressão por <em>a &#8800; 0</em>, obtendo-se:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="119" height="34" alt="" border="0" style="WIDTH: 119px; HEIGHT: 34px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas1.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Soma-se e subtrai-se o termo <img width="40" height="33" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 40px; HEIGHT: 33px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas2.PNG" /> para completar o quadrado:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="282" height="141" alt="" border="0" style="WIDTH: 282px; HEIGHT: 141px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas3.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Extraindo-se a raiz quadrada de ambos os lados:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="221" height="166" alt="" border="0" style="WIDTH: 221px; HEIGHT: 166px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas4.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Convém lembrar que a Índia produziu muitos matemáticos na segunda metade da Idade Média, entre eles Bhaskara (1114-1185), sendo considerado o último matemático medieval importante da Índia, e sua obra representa a culminação de contribuições hindus anteriores. Em seu tratado mais conhecido, o <em>Lilavati</em>, ele compilou problemas de Brahmagupta, acrescentado novas observações, além de apresentar numerosos problemas sobre os tópicos favoritos dos hindus, como equações lineares e quadráticas, tanto determinadas quanto indeterminadas, progressões aritméticas e geométricas, radicais e outros. Devido a isso, erroneamente, alguns autores apresentam as raízes de uma equação polinomial de grau 2 em função dos coeficientes, como sendo a fórmula de Bhaskara.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>As equações polinomiais de grau 3</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A história da resolução da equação de terceiro grau é muito pitoresca, plena de lances dramáticos, paixões e disputas pela fama e a fortuna que seu achado poderia trazer a seus autores. O primeiro a obter o método de resolução dessas equações foi alguém cujo nome mal é lembrado hoje – Scipione Del Ferro (1465-1526), professor de matemática em Bolonha, uma das mais antigas universidades medievais e uma escola com forte tradição matemática. Como ou quando Ferro fez sua maravilhosa descoberta não se sabe. Não publicou a solução, mas antes de sua morte ele a revelou a um estudante de matemática de pouca expressão, Antônio Maria Fior. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Parece que a ideia da existência da solução algébrica para uma cúbica propalou-se, e Nicolo Tartaglia (1500-1557) nos conta que o conhecimento da possibilidade de resolver a equação inspirou-o a dedicar-se a achar o método por si. Seja independentemente, seja baseado numa sugestão, Tartaglia de fato aprendeu, por volta de 1541, a resolver equações cúbicas. Quando a notícia disso se espalhou, foi organizada uma competição matemática entre Tartaglia e Fior. Cada um dos concorrentes propôs trinta questões para que o outro resolvesse num intervalo de tempo fixado. Quando chegou o dia da decisão, Tartaglia tinha resolvido todas as questões propostas por Fior, enquanto este não tinha resolvido nenhuma das enunciadas por seu oponente.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A notícia do triunfo de Tartaglia chegou a Gerônimo Cardano (1501-1576), que logo convidou o vencedor a vir à sua casa, insinuando que trataria de arranjar um encontro entre ele e um possível patrono. Tartaglia não tinha nenhuma fonte substancial de recursos, em parte talvez por causa de um defeito de locução. Quando criança tinha recebido um corte de sabre, na tomada de Bréscia pelos franceses em 1512, e isso lhe prejudicou a fala. Por esse fato é que recebeu o apelido de Tartaglia, ou gago, nome que usou em lugar de Nicolo Fontana, que recebera ao nascer. Cardano, ao contrário, lograra sucesso como médico. Uma vez lá, com muita insistência Cardano conseguiu que lhe fosse revelado o segredo da resolução das equações do terceiro grau.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Tartaglia consentiu em lhe ensinar a regra da resolução (embora não lhe ensinasse a demonstração da mesma), sob a forma de versos, em troca do juramento solene de que Cardano jamais publicaria esse segredo.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Conhecendo um método de resolução, Cardano procurou e achou uma demonstração que o justificasse. Mais ainda, ele estimulou seu aluno Ludovico Ferrari (1522-1565) a trabalhar com a equação de quarto grau e ele achou o correspondente método de resolução com a devida demonstração.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De posse de ambas as soluções, Cardano deve ter se sentido fortemente tentado a publicá-las. Em 1544, numa viagem com seu aluno, teve acesso a um manuscrito de Del Ferro que continha a famosa regra de Tartaglia, manuscrito este que ainda se conserva. Aparentemente, ao saber que a fórmula de Tartaglia existia já desde trinta anos antes, Cardano se sentiu desobrigado de cumprir seu juramento e publicou, em 1545, em Nuremberg, uma obra intitulada <em>Ars magna</em>, que o tornou verdadeiramente famoso em todo o continente. Um progresso tão notável e imprevisto causou tal impacto sobre os algebristas que o ano de 1545 frequentemente é tomado como marco do início do período moderno na matemática.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Ainda hoje, a <em>Ars magna</em> é uma leitura difícil. Apesar de tratar de equações sobre números, o raciocínio que a embasa é geométrico, como o de Al-Khowarizmi, de modo que podemos pensar em seu método como sendo de “completação do cubo”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Com base nesse método, portanto, podem-se achar as raízes de uma equação polinomial de grau 3, dada por&nbsp;<em>ax<sup>3</sup> + bx<sup>2</sup> + cx + d = 0</em>, sendo seus coeficientes,&nbsp;<em>a, b, c </em>e<em> d</em>&nbsp;, números reais com&nbsp;<em>a &#8800; 0</em>. Observe:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><em><img width="153" height="20" alt="" border="0" style="WIDTH: 153px; HEIGHT: 20px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas5.PNG" /></em></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Altera-se a variável para <em>x = y + m</em>:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><em><img width="279" height="20" alt="" border="0" style="WIDTH: 279px; HEIGHT: 20px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas6.PNG" /></em></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Logo:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="504" height="20" alt="" border="0" style="WIDTH: 504px; HEIGHT: 20px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas7.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Calcula-se <em>m</em> de modo a anular o termo de 2° grau de:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="186" height="35" alt="" border="0" style="WIDTH: 186px; HEIGHT: 35px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas8.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Divide-se toda a expressão por <em>a &#8800; 0 </em>e substitui-se <em>m</em>, obtendo-se:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="563" height="43" alt="" border="0" style="WIDTH: 563px; HEIGHT: 43px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas9.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A expressão pode ser reescrita desta forma:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="142" height="22" alt="" border="0" style="WIDTH: 142px; HEIGHT: 22px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas10.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A ideia agora é supor que a solução de <strong>(**) </strong>é soma de duas parcelas:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="525" height="22" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas11.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A partir de <strong>(**) </strong>substitui-se <strong><em>Y</em></strong>:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="224" height="99" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas12.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Logo:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="233" height="44" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas13.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A soma e o produto dos números <em>A<sup>3 </sup></em>e <em>B<sup>3</sup></em>&nbsp;são conhecidos:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="392" height="23" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas15.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Isso permite concluir que <em>A<sup>3 </sup></em>e <em>B<sup>3</sup></em>&nbsp;são as raízes desta equação:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="182" height="45" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas16.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Portanto, elas podem ser escritas da seguinte forma:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="153" height="111" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas17.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A solução <em>Y </em>é soma de duas parcelas, isto é, <em>Y = A + B</em>:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="310" height="75" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas18.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como <em>Y</em> é solução de&nbsp;<img width="103" height="19" align="bottom" alt="" border="0" style="WIDTH: 103px; HEIGHT: 19px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas19_1.PNG" /> na qual&nbsp;<img width="128" height="24" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 128px; HEIGHT: 24px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas20_2.PNG" />&nbsp;, pode-se concluir:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="359" height="77" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas21.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Esta é uma solução para a equação algébrica de grau 3. Em consequencia:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="306" height="22" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas22.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">As outras duas raízes são obtidas da equação de grau 2, dada por <img width="125" height="15" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 125px; HEIGHT: 15px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas23.PNG" />, usando-se o argumento anterior.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">As resoluções das equações cúbicas e quárticas foram talvez a maior contribuição à álgebra desde que os babilônios, quase quatro milênios antes, começaram a se preocupar com equações de grau 2. Nenhuma outra descoberta constitui um estímulo para o desenvolvimento da álgebra comparável a essas reveladas na Ars magna. A fórmula de Tartaglia-Cardano é de grande importância lógica, mas não é nem de longe tão útil para as aplicações quanto os métodos de aproximações sucessivas. O mais importante resultado das descobertas publicadas na <em>Ars magna</em> foi o enorme impulso dado à pesquisa em álgebra em várias direções.</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="287" height="193" alt="" border="0" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas24.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O próximo passo seria encontrar uma maneira de resolver uma equação algébrica de grau 5, dada por <img width="226" height="15" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 226px; HEIGHT: 15px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_silas25.PNG" />&nbsp;e isso seria um dos grandes desafios da próxima geração de matemáticos. Em 1824, Abel (1802-1829) provou a impossibilidade de resolvê-la algebricamente. Inspirado nesse trabalho, Galois (1811-1832) estabeleceu uma teoria que permitiu determinar as condições necessárias e suficientes para que uma equação tenha solução, provando a impossibilidade da resolução algébrica das equações gerais de grau superior a quatro.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Referências:</p>
<ul>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">BOYER, C. B. <em>História da matemática</em>. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. (Tradução de Elza F. Gomide, do original <em>A history of mathematics</em>, editado por Jonh Wiley &amp; son, Inc.,1991.) 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><em>Revista do professor de matemática</em>, n° 25, 1994. (Publicação quadrimestral da Sociedade Brasileira de Matemática com o apoio da Universidade de São Paulo). 
    </div></li>
</ul>]]></description>
		<author>Silas Fantin</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=8</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=6">Sistema de cotas na Uerj – uma análise quantitativa dos dados de ingresso (03/10/2008)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Sistema de cotas na Uerj – uma análise quantitativa dos dados de ingresso]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=6</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Este texto tem como objetivo contribuir para a reflexão sobre a efetividade da aplicação de políticas de ações afirmativas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, por meio da divulgação dos principais dados quantitativos relacionados ao acesso de candidatos cotistas aos cursos de graduação no período 2004-2007.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>1 – INTRODUÇÃO</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A Lei de Diretrizes e Bases, em seu Título II – Dos Princípios e Fins da Educação Nacional –, preconiza que o ensino seja ministrado respeitando-se o&nbsp;princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A Lei Estadual 4151/2003, ao estabelecer cotas para ingresso de estudantes carentes nas universidades públicas estaduais do Rio de Janeiro, com vistas à redução de desigualdades étnicas, sociais e econômicas, e a fim de cumprir esse princípio, em seu Artigo 5º, assim distribui o percentual de vagas:</p>
<ul>
  <li>20% para estudantes oriundos da rede pública de ensino;</li>
  <li>20% para negros;</li>
  <li>5% para pessoas com deficiência, nos termos da legislação em vigor, e integrantes de minorias étnicas.<br /></li>
</ul>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O limite de renda bruta média familiar que configura a carência é definido pela UERJ a cada ano: em 2004, esse valor foi igual a R$ 300,00; em 2005 e em 2006, a R$ 520,00; em 2007, a R$ 630,00.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>2 – DADOS QUANTITATIVOS</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>2.1 - Inscritos</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O número de candidatos inscritos no Exame Discursivo, detalhado na Tabela 1, deve ser a primeira variável a ser considerada na análise dos processos seletivos realizados sob a vigência da Lei 4151/2003. </p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="212" alt="" width="605" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela1.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em termos percentuais, o quantitativo de cotistas inscritos, em relação ao número total de candidatos, foi de 24% em 2004, passando a 9% em 2005, a 10% em 2006 e a 8% em 2007.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Estes valores parecem indicar a existência de uma demanda reprimida por vagas reservadas, atendida em 2004, e uma tendência de redução do número de candidatos que procuram essas vagas.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>2.2 – Relações candidato/vaga</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A relação candidato/vaga trata da comparação entre o número de vagas oferecidas e o quantitativo de candidatos que desejam ingressar na UERJ. Os índices assim calculados podem ser de grande valia para a análise da perspectiva da sociedade, tanto para com os diversos cursos da Universidade, quanto para com o próprio sistema de cotas. A Tabela 2 mostra as relações candidato/vaga médias calculadas para a UERJ.</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="214" alt="" width="500" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela2.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Pode-se destacar, em todo o período considerado, a preponderância da procura da cota para alunos carentes da rede pública em relação às demais vagas reservadas.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Entre os cotistas, as menores relações candidato/vaga são inferiores a 1,0 ; os cursos mais procurados são Serviço Social, História e Jornalismo. Já entre os não-cotistas, as menores relações candidato/vaga são superiores a 1,0; os cursos mais procurados são Medicina, Jornalismo e Desenho Industrial. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>2.3– Matriculados</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O percentual&nbsp;de cotistas ingressantes na UERJ em 2004, em relação ao total de matriculados, foi de 42%, bastante próximo do percentual total reservado de 45% estabelecido pela lei de cotas. Esse índice, no entanto, vem decrescendo a cada ano: 32% em 2005, 31% em 2006 e 24% em 2007.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Independentemente do tipo de vaga, diversos fatores concorrem para a redução do número de candidatos passíveis de convocação para o preenchimento de vagas, tais como faltas à matrícula, problemas na documentação exigida e desistências.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como a legislação prevê a transferência automática de vagas, os não-cotistas, que buscam a UERJ em maior número do que os cotistas, preenchem as vagas destinadas originalmente a cotistas, como pode ser verificado nas Tabelas 3 e 4: as proporções de matriculados em relação ao número original de vagas é sempre menor que 1,0 para o total de vagas reservadas.</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="257" alt="" width="752" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela3.PNG" /></p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="199" alt="" width="428" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela4.PNG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>3 – DADOS SOCIOCULTURAIS</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">São apresentadas, neste item, as freqüências percentuais de respostas a algumas das perguntas de um questionário&nbsp;preenchido por&nbsp;cada candidato no momento de sua inscrição, denominado Questionário de Informações Socioculturais.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>3.1 – Perfil pessoal</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A&nbsp;composição do perfil pessoal dos matriculados requer que se levem em conta diversas variáveis. Com base na Tabela 5, podem-se analisar alguns aspectos desse perfil, expostos a seguir:</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="511" alt="" width="763" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela5.PNG" /></p>
<ul>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em relação ao trabalho, pelo menos 50% dos cotistas e dos não-cotistas informam nunca ter trabalhado; cerca de 20% dos não-cotistas e 30% dos cotistas começaram a trabalhar com menos de 18 anos. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Aproximadamente 50%, nos dois grupos, informam não possuir renda própria. A mesada é a fonte de renda mais freqüentemente apontada entre os não-cotistas, enquanto o trabalho é ligeiramente mais freqüente entre os cotistas. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Grande parte dos matriculados na UERJ percebe-se como negro ou pardo, independentemente do tipo de vaga. Entre os não-cotistas, no entanto, encontra-se maior percentual daqueles que se percebem como brancos. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Quanto ao gênero dos ingressantes, há uma discreta relevância do número de mulheres. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De acordo com o esperado, são mais de 80% os oriundos de escolas públicas selecionados para as vagas reservadas, todos os anos, e mais de 60% os alunos oriundos de escolas particulares selecionados para as vagas não-reservadas. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A idade média dos não-cotistas situa-se em torno de vinte anos e meio, enquanto a dos não-cotistas é ligeiramente mais alta, em torno de vinte e um anos e meio. 
    </div></li>
</ul>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>3.2 – Perfil socioeconômico</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A partir de&nbsp;algumas variáveis relevantes para&nbsp;a composição do perfil socioeconômico dos matriculados, informadas na Tabela 6, observam-se os seguintes aspectos:</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="758" alt="" width="763" border="0" src="/spaw2/uploads/images/tabela6.PNG" /></p>
<ul>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A&nbsp;maioria dos alunos matriculados na UERJ no período considerado, independentemente do tipo de vaga, informa morar com os pais, em casa própria. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em relação ao número de veículos da família, a maior percentagem de respostas entre os cotistas, mais de 70%, refere-se a não possuir veículo algum, enquanto entre os não-cotistas, percentagens próximas a esta referem-se a possuir um ou dois veículos. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Quanto à renda familiar mensal, as maiores percentagens de respostas encontram-se, de acordo com o esperado, em escalas diferentes, tendo em vista o critério de carência definido para a aplicação da lei de cotas. Assim, cerca de 80% dos cotistas informam valores de até cinco salários mínimos, enquanto os não-cotistas informam faixas de renda mais altas. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A escolaridade dos pais dos não-cotistas apresenta maiores percentuais associados ao nível superior; entre os cotistas estas percentagens estão associadas aos níveis fundamental e médio. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Ter computador em casa, bem como o acesso à Internet, são também variáveis que apresentam freqüências mais altas entre os candidatos não-cotistas. A tendência de evolução observada entre os cotistas, se contextualizada nos centros urbanos, não surpreende: em 2004, aproximadamente 39% informam ter computador em casa e 67% ter acesso à Internet; em 2007, essas percentagens são, respectivamente, 49% e 79%. 
    </div></li>
  <li>
    <div align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os alunos não-cotistas indicam possuir mais livros em casa do que os&nbsp;cotistas. Vale destacar as diferenças que se verificam na categoria referente a mais de 100 livros em casa: as percentagens dos não-cotistas são, pelo menos, três vezes maiores que as dos cotistas; em relação ao número de livros lidos por ano, no entanto, praticamente não há diferenças entre o percentual de cotistas e não-cotistas, já que a maior percentagem de respostas encontrada, mais de 60%, corresponde à leitura de, no máximo, cinco livros por ano. 
    </div></li>
</ul>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>4&nbsp;– CONCLUSÕES</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os dados aqui apresentados parecem indicar a dificuldade de uma única ação afirmativa pontual em reduzir as atuais desigualdades étnicas, sociais e econômicas, como previsto pela Lei 4151/2003, tendo em vista, principalmente, a baixa demanda por vagas dentro dos limites de carência que têm sido estabelecidos.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O jornalista Ali Kamel, em artigo publicado em <em>O Globo</em> de 27 de maio de 2008, utilizando dados divulgados na página na Internet do Departamento de Seleção Acadêmica da Universidade, observa, referindo-se à cota para negros: “Se, mesmo com 20% de vagas reservadas, não há inscritos suficientes, isso é um sinal claro de que a política de cotas é um instrumento ineficiente para abrir as portas do ensino superior”. E, ainda, ao analisar as demais cotas: “O que os impede de estar bem preparados é a pobreza. São os pobres, de todas as cores, que freqüentam as nossas escolas públicas (...)”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Nesse tema, há que citar o sociólogo francês Pierre Bourdieu e sua conceituação da escola como uma das estruturas responsáveis pela reprodução das desigualdades sociais. Em sua obra <em>Os usos sociais da Ciência</em>, Bourdieu lembra que é sempre necessário “decidir se é preciso limitar-se à demanda formulada ou contribuir para explicitar as demandas não formuladas”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Assim, caberia também à UERJ, enquanto campo de produção acadêmica e científica, a possibilidade de agir no sentido de levantar e explicitar a existência de possíveis demandas não formuladas e, portanto, não atendidas, nesse âmbito, principalmente se considerada a dificuldade de grande parcela da sociedade em expressar ou fazer ouvir efetivamente suas opiniões.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Já existe, na Sub-reitoria de Graduação, o projeto de um abrangente estudo de acompanhamento da trajetória escolar dos alunos cotistas, cujos resultados possibilitarão complementar as informações relativas a seu ingresso. Análises e avaliações fundamentadas da aplicação do Sistema de Reservas de Vagas na UERJ deverão resultar do cruzamento desses dados.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Nesse sentido, espera-se que o conjunto de informações aqui apresentadas, sobre cotistas e não-cotistas, configure-se como uma fonte relevante para subsidiar as análises adequadas para a escolha de futuros caminhos.</p>]]></description>
		<author>Stella Amadei</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=6</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=5">Aspectos da geoeconomia Fluminense (23/09/2008)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Aspectos da geoeconomia Fluminense]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=5</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A geografia do estado do Rio de Janeiro é tema freqüente dos exames vestibulares locais, seguindo uma lógica coerente de aplicação dos conhecimentos geográficos como instrumentos para compreensão de um recorte espacial que é próximo da vivência dos candidatos ao ensino superior. Essa prática, acrescente-se, é amplamente difundida nos exames de caráter similar das outras unidades da federação. Contudo, uma vez que os livros didáticos para o ensino médio são editados em escala nacional, os vestibulandos fluminenses dispõem de um número reduzido&nbsp;de fontes de estudo sistematizadas a respeito dessa temática tão relevante. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Este texto procura oferecer uma contribuição, ainda que breve, aos estudantes, focalizando a geoeconomia do Estado.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>O Rio de Janeiro no contexto nacional</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O&nbsp;estado do Rio de Janeiro, do ponto de vista da extensão territorial,&nbsp;não se destaca no conjunto do Brasil. Ao contrário, ele possui a quarta menor área entre as 27 unidades federativas brasileiras. Com 43.864,30 km<sup>2</sup> (apenas 0,51% da superfície do país), ele só é maior do que Sergipe, Alagoas e Distrito Federal. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por outro lado, trata-se de um estado bastante populoso: seu contingente de 15.420.375 habitantes é o terceiro maior do país. O resultado disso é que somente uma unidade federativa, o Distrito Federal, tem densidade demográfica superior à do Rio de Janeiro: cerca de 423,3 e de 352,9&nbsp;habitantes por quilômetro quadrado, respectivamente.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas a relevância fluminense no cenário nacional é visível, sobretudo na economia. O estado possui o segundo maior PIB do país, o que corresponde a aproximadamente 11,5% do total nacional,&nbsp;superado apenas por São Paulo, com 33,9% (IBGE, 2005:&nbsp;<a href="http://www.ibge.gov.br/estadosat/">http://www.ibge.gov.br/estadosat/</a>).</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>O Rio de Janeiro e sua organização econômica</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No mapa abaixo, é visível a divisão do estado do Rio de Janeiro em regiões de governo, cuja delimitação leva em conta, entre outros fatores, as características da organização econômica do espaço estadual (clique no mapa para ampliar).</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><a target="_blank" href="/spaw2/uploads/images/mapa_rj_gde.PNG"><img height="801" alt="Clique para ampliar" width="1142" border="0" style="WIDTH: 700px; HEIGHT: 491px" src="/spaw2/uploads/images/mapa_rj_gde.PNG" /></a></p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><a target="_blank"></a></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A organização interna do espaço estadual do Rio de Janeiro é extremamente desigual: apesar de reunir 92 municípios,&nbsp;a distribuição da população e a produção da riqueza estão&nbsp;fortemente concentradas na capital e em sua área metropolitana. Só a cidade do Rio de Janeiro abrigava cerca de 40% da população e 43% do PIB do estado em 2006, segundo o Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro - CIDE.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">É bem verdade que essa desproporção já foi maior. De acordo com os dados do CIDE,&nbsp;em 1997, esse percentual era de 64,2%, revelando uma certa tendência à interiorização da riqueza, cujas causas mereceriam comentários que vão além dos limites deste artigo.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Um fato que deve ser destacado, no entanto, é que&nbsp;grande parte da diminuição relativa do PIB carioca teve uma correspondência no crescimento ocorrido em outros 16 municípios da região metropolitana. Essa área, juntamente com a&nbsp;capital, possui cerca de 75% da população e 65% do PIB estadual. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas é inegável que houve um avanço significativo do PIB extrametropolitano nos últimos dez anos. Dentre os cinco municípios com maior PIB no estado,&nbsp;estão&nbsp;Volta Redonda e Macaé, localizados em&nbsp;duas regiões cujos ritmos de crescimento econômico são os maiores responsáveis pela desconcentração espacial da economia fluminense, o Vale do Paraíba e o Norte Fluminense.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No Vale do Paraíba, o crescimento se deve ao avanço industrial da região, especialmente nos setores metalúrgico,&nbsp;mecânico e automobilístico. Já no Norte Fluminense, o dinamismo é o resultado da expansão das atividades de apoio à extração do petróleo nas áreas marinhas da bacia sedimentar de Campos.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A despeito disso, a maior parte dos grandes investimentos industriais recentes ou que estão em andamento no estado do Rio de Janeiro tem sua localização na região metropolitana. É o caso, por exemplo, da Siderúrgica do Atlântico (do grupo alemão Thyssen), da ampliação da siderúrgica COSIGUA (Grupo Gerdau), da nova fábrica da Michellin, todos na Zona Oeste carioca, do COMPERJ, complexo petroquímico da Petrobrás, em Itaboraí, do Pólo Gás-Químico, em Duque de Caxias, dentre outros. Só os dados econômicos dos próximos anos confirmarão ou não se há uma tendência de reconcentração metropolitana.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O Rio de Janeiro importa grande parte dos gêneros alimentícios que consome, e essa debilidade rural é uma das explicações para a relativa fragilidade da rede urbana estadual, quando comparada a de outros estados do Centro-Sul do país. Esse pouco desenvolvimento do setor agropecuário do estado também explica&nbsp;o dinamismo relativamente baixo do interior fluminense. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A atividade de maior relevância nessa região é a pecuária leiteira, voltada principalmente para o abastecimento do mercado da região metropolitana e contando com nível médio de modernização não muito elevado. Essa atividade é realizada, em boa parte, sobre os solos empobrecidos pelo cultivo do café no final do século XIX e início do XX.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em relação ao setor agropecuário, merecem destaque&nbsp;o decadente cultivo da cana-de-açúcar no Norte Fluminense&nbsp;e a produção de hortigranjeiros na Região Serrana, esta última como parte do “Cinturão Verde” que abastece a área metropolitana.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em contrapartida, o setor terciário é o grande destaque da economia fluminense, especialmente da sua capital, sendo responsável pela maior parte do PIB estadual. O turismo é uma atividade de grande importância, em particular para as regiões Metropolitana, das Baixadas Litorâneas, Serrana e da Costa Verde. Os setores financeiro, educacional, comercial, de transportes e comunicações completam o conjunto das atividades que constituem a espinha dorsal do terciário fluminense.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong>Considerações finais</strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como vimos, o estado do Rio de Janeiro possui uma economia relevante nacionalmente e bastante diversificada, mas com uma histórica concentração na capital e em alguns municípios do seu entorno. Após um longo período de verdadeiro marasmo econômico, que durou cerca de&nbsp;trinta anos, uma série de fatores têm contribuído para melhorar as perspectivas de crescimento econômico do estado,&nbsp;atraindo importantes investimentos, inclusive os industriais, cuja decadência no estado era marcante.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Essa recente retomada do dinamismo econômico estadual, inseparável da melhoria do quadro econômico nacional, abre novas perspectivas de reorganização do território fluminense, cujos desdobramentos ainda não são totalmente nítidos. Eles dependerão, em grande medida, das políticas públicas e dos investimentos em infra-estrutura, que constituem uma das grandes carências do espaço econômico estadual. Eles são essenciais para incentivar o crescimento econômico e ampliar a difusão espacial e social de seus benefícios.</p>]]></description>
		<author>Ronaldo Goulart Duarte</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=5</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=4">Ensino de literatura: profissão ou arte? (17/09/2008)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Ensino de literatura: profissão ou arte?]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=4</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Ser professor de literatura gera algumas perguntas interessantes. Como o objeto de estudo é uma das artes consideradas nobres, o professor dessa disciplina tem de ser um artista também? A disciplina propriamente dita, literatura, é uma disciplina como as outras do currículo ou sua condição de arte a destaca das demais?</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">À primeira vista, a literatura parece mais importante do que a música, a pintura, o teatro e as demais artes. A condição de arte eminentemente verbal empresta à literatura prioridade no currículo, na carga horária, nos exames, no corpo docente. Entretanto, ainda que eu mesmo seja professor de literatura, entendo que essa prioridade deve ser contestada, até porque ela nem sempre faz bem à literatura. Para transformá-la em uma disciplina “como as outras”, acaba-se ensinando literatura para se ensinar ou história ou língua ou cultura ou até mesmo patriotismo, escamoteando-se o seu caráter artístico. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A literatura seria então apenas um objeto de estudo como os outros? Penso que não. Se a literatura é arte, parente muito próxima dos mitos e das religiões, então ela é menos um objeto de estudo do que uma morada existencial. De modo bem diverso das demais disciplinas, a literatura pode se tornar apaixonante tanto à razão quanto à emoção de uma pessoa. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por quê? Porque ela deliberadamente suspende a realidade a um nível ao mesmo tempo íntimo e superior – superior porque fruto assumido da invenção humana. Nessa perspectiva, uma reflexão sobre a literatura que preserve a paixão original exige menos fazer teoria da literatura do que buscar a teoria na literatura; menos aplicar uma teoria ao texto literário do que mostrar no próprio texto o pensamento (a teoria) que o sustenta. Dizendo de outro modo: devo abdicar de controlar a literatura com minhas categorias lingüísticas ou históricas para deixar emergir seu enigma – mas sem resolvê-lo nem destruí-lo. Cabe-nos menos revelar o que o autor quis dizer no seu texto (tarefa de resto impossível, nem o próprio autor o saberia fazer) e mais proteger o enigma que ele formulou para nós e sobre nós.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Essa reflexão me leva a outra pergunta, um pouco incômoda: quantos de nós começamos a fazer Letras, a estudar literatura, porque gostávamos de ler e sobretudo de escrever? A pergunta é incômoda porque a sua resposta bem pode ser: muitos, quiçá a maioria. Ela gera uma outra pergunta: quantos de nós paramos de escrever já na faculdade ou pouco depois, quando começamos a dar aula? A resposta à segunda pergunta, infelizmente, pode ser idêntica: muitos, quiçá a maioria. Isso acontece, talvez, porque transformamos o objeto da nossa paixão em apenas um objeto de estudo, supondo que assim dominaremos seu enigma. O preço a pagar é alto: a literatura deixa de ser arte para nós e nossos alunos e se torna uma “matéria” (na melhor das hipóteses, chata).</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No entanto, há resistências. Há professores e escolas e universidades que não esquecem que a literatura é antes de tudo arte: desafio e enigma, paixão e ilusão. Isso acontece em vários níveis – por exemplo, quando se criam oficinas literárias nas escolas, ou quando uma universidade institui um programa de Escritor Visitante (como o fez o Instituto de Letras da UERJ, trazendo anualmente escritores do porte de Sérgio Sant’Anna, Rubens Figueiredo, João Gilberto Noll, Antônio Torres), ou quando uma pós-graduação em literatura aceita um trabalho de ficção como tese. Essa proposta, como demonstram os finalistas recentes do Prêmio Jabuti e do Prêmio Portugal Telecom, costuma ser bem-sucedida, gerando trabalhos de ficção ousados e conseqüentes porque frutos do diálogo tenso com a reflexão acadêmica. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Isso se chama: produção de conhecimento e de cultura.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas há quem não concorde – talvez alguns daqueles que se esqueceram do porquê quiseram estudar literatura. Argumentam que um trabalho de ficção não seria um trabalho científico, como se todo trabalho científico não fosse sempre um trabalho de... ficção. A hipótese científica é sempre uma suposição, um “como se” fosse para ver se pode ser assim mesmo. A estrutura discursiva da literatura stricto sensu difere da estrutura de um tratado de Física, mas o princípio do “como se” anima ambos os discursos. Por isso, mesmo em termos de teoria do conhecimento, mesmo em termos epistemológicos, não procede a resistência a trabalhos de ficção na escola e na universidade.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Não procede, mas se explica: explica-se pela dificuldade óbvia, reconheço, de orientar e avaliar um trabalho de ficção, quando os critérios se tornam bem menos seguros. Todavia, há critérios: os mesmos que utilizamos para distinguir se uma obra literária é menor ou maior, se obra-prima ou não. Ainda há outra explicação, que reluto em escrever mas escrevo: ressentimento. Se abandonei minha paixão no início do caminho para conquistar minha posição acadêmica, como esse fedelho que não deu todas as aulas que já dei e não corrigiu todas as provas que já corrigi se atreve a fazer da sua tese um romance, enquanto eu larguei meus poemas em passado remoto?</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Nesse ponto, temo que alguns dos meus colegas se ofendam, e antecipadamente lhes peço desculpas. Não falava sobre eles, que trabalham sempre protegendo o enigma da arte. A carapuça do ressentimento não serve em todas as cabeças, há tantos outros motivos para resistir à arte na academia. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Todavia, nós sabemos que ela serve sim em algumas cabeças: aquelas que justificam o nefasto ditado popular que nos persegue, nefasto até porque não de todo falso: “quem sabe, faz; quem não sabe, ensina”. Já não ouviram isto? Como professores, principalmente como professores de literatura, não podemos dar razão a esse ditado. Por isso, há que continuar fazendo – fazendo arte! – para dar o melhor exemplo a nossos alunos; da mesma forma, há que continuar estimulando quem faz – arte! – para recuperar não apenas para a literatura, mas também para o magistério, a sua condição original de... arte.</p>]]></description>
		<author>Gustavo Bernardo</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=4</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=7">Mudanças climáticas: fique ligado, faça a sua parte (05/09/2008)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Mudanças climáticas: fique ligado, faça a sua parte]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=7</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Furacão na região sul, seca na região amazônica, vendavais varrendo o país de ponta a ponta, verões extremamente quentes, chuvas torrenciais e muito acima da média em algumas áreas, são exemplos de eventos climáticos extremos que vêm assolando não só o Brasil, mas também o restante do planeta. Uma coisa é certa: as catástrofes climáticas, além de mais freqüentes e intensas, causarão significativos impactos econômicos, sociais e ambientais no nosso planeta. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Tudo bem, as variações climáticas são fenômenos presentes ao longo de toda a história geológica da Terra. Porém,&nbsp;diversas investigações científicas advertem que tais variações&nbsp;deixaram de ser naturais, passando a ser de origem antrópica, ou seja, resultantes da ação do homem. O uso e consumo obsceno de combustíveis fosseis, como carvão mineral, petróleo e gás natural, somados ao desmatamento e queimadas visando, em grande parte, à expansão&nbsp;da fronteira agrícola, provocam o aumento da temperatura da Terra – <i>o aquecimento global</i>. Esse fenômeno, conhecido como efeito estufa, decorre do aumento da concentração de vapor d'água e, sobretudo, de certos gases na atmosfera terrestre, entre os quais se destacam o gás carbônico, também chamado dióxido de carbono&nbsp;(CO<sub>2</sub>), o ozônio&nbsp;(O<sub>3</sub>), o metano&nbsp;(CH<sub>4</sub>) e o óxido nitroso&nbsp;(N<sub>2</sub>O). Na prática, funciona assim: tais compostos são conhecidos como gases de efeito estufa (GEE), pois permitem a passagem da luz solar e retêm o calor. Imagine-se dentro de um carro, em um engarrafamento, no verão, com os vidros do carro fechados, você sentirá particularmente uma amostra do que é o efeito estufa que o planeta vem experimentando. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Se a temperatura média no planeta sobe,&nbsp;em conseqüência, têm-se o aumento da temperatura dos oceanos e o derretimento das geleiras ocasionando elevação média do nível do mar. Tal elevação, que no último século foi entre 20 e 30 centímetros, se deveu principalmente à combinação da expansão em volume da água nos oceanos e do derretimento de gelo em glaciares na Antártica e na Groenlândia.&nbsp;O fato é que as temperaturas mais altas que elevam o nível do mar, também provocam tempestades mais destrutivas,&nbsp;como os ciclones tropicais. A elevação do nível do mar é uma catástrofe sem precedentes e fez surgir um novo tipo de refugiados – <i>os refugiados do clima</i>. Eles são provenientes de ilhas-nação, como é o caso das Ilhas Maldiva, no oceano Pacífico,&nbsp;e de Tuvalu, no oceano Índico, que serão invariavelmente varridas do mapa global. No Brasil, também&nbsp;já há registros dos efeitos da elevação do nível do mar sobre as regiões litorâneas. Imagine ressacas varrendo o litoral, invadindo ruas...&nbsp;Há uma distância significativa entre&nbsp;realidade e previsões apocalípticas, mas o fato é que a Terra está ficando mais quente e o nível do mar está subindo.</p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; "><strong>O que vem sendo feito – a reação mundial</strong> </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), criado em 1988,&nbsp;é um&nbsp;órgão aberto para os países membros da&nbsp;&nbsp;Organização Meteorológica Mundial (OMM)&nbsp;e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com o objetivo de&nbsp;fornecer informações científicas, técnicas e sócio-econômicas relevantes para o entendimento das mudanças climáticas.</p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Um outro importante instrumento internacional é o&nbsp;Protocolo de Quioto, o mais ambicioso tratado ambiental já realizado no mundo,&nbsp;que estabelece compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos GEE. O protocolo resulta de uma série de eventos iniciada com a Toronto Conference on the Changing Atmosphere, ocorrida no Canadá, em 1988, seguida pelo IPCC's First Assessment Report em Sundsvall, na Suécia, em 1990, e que culminou com a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, na ECO-92, no Rio de Janeiro, em junho de 1992. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">As metas de redução não são homogêneas, determinando níveis diferenciados para os 38 países que mais emitem gases, dentre os quais o Brasil, apontado como um dos maiores emissores de poluentes no mundo. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">O último relatório do IPCC (2007) fez projeções para cenários futuros, calculando&nbsp;um aquecimento de cerca de 0,2ºC para cada uma das próximas duas décadas. Na melhor das hipóteses estima-se um aumento de 1,8°C (com variação de 1,1°C a 2,9°C) e, na pior,&nbsp;de&nbsp;4,0°C (com variação de 2,4°C a 6,4°C), no final deste século.&nbsp;A variação correspondente no nível do mar estaria entre 0,18-0,38 metros a 0,26-0,59 metros.&nbsp;Ressalta-se que, mesmo que as concentrações de gases de efeito estufa sejam estabilizadas, o aquecimento global e a elevação do nível do mar devem continuar por séculos, devido aos efeitos de longo prazo associados aos processos climáticos. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Por fim, esse relatório conclui, fazendo um&nbsp;alerta, que as mudanças climáticas ameaçam os elementos básicos da vida das pessoas – acesso à água, produção de alimentos, saúde e meio ambiente –,&nbsp;deteriorando a qualidade de vida. O aquecimento global deixou de ser há muito tempo uma discussão científica e se encontra cada vez mais presente na agenda política e econômica mundial. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; "><strong>Faça a sua parte</strong></p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Apesar de todos estarem preocupados com&nbsp; as mudanças climáticas devido ao aquecimento global, grande parte da população ainda não mudou seus hábitos e costumes. E pequenos atos no nosso dia-a-dia, para diminuir a emissão de poluentes, são muito simples,&nbsp;mas&nbsp;requerem alterações no comportamento individual. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%; ">Veja se você está fazendo sua parte contra o aquecimento global: </p> 
<p><em>Transporte</em></p> 
<ul> 
  <li>Use o transporte público ou um sistema de carona solidária com os amigos;</li> 
  <li>Dependendo da distância, faça seus deslocamentos a pé ou de bicicleta; </li> 
  <li>Se você tem carro, melhore o consumo de combustível fazendo revisão periódica e mantendo os pneus bem calibrados;</li> 
  <li>Se possível, tenha veículo movido a álcool,&nbsp;pois emitem 55 vezes menos gás carbônico que a gasolina. </li> 
</ul> 
<p><em>Água</em> </p> 
<ul> 
  <li>Reduza o tempo de banho e feche a torneira ao escovar os dentes;</li> 
  <li>Evite vazamentos, uma torneira mal fechada desperdiça 50 litros de água por dia;</li> 
  <li>Lembre que lavar carro e calçada com mangueira é um grande desperdício de água.</li> 
</ul> 
<p><em>Energia elétrica</em></p> 
<ul> 
  <li>Aproveite ao máximo a luz natural;</li> 
  <li>Desligue os aparelhos domésticos, inclusive carregadores, e retire das tomadas os aparelhos em espera, aqueles com luzes vermelhas;</li> 
  <li>Dê preferência a lâmpadas de menor consumo de energia como as fluorescentes compactas, que consomem 75%&nbsp;menos que as convencionais;</li> 
  <li>Utilize aquecedores solares, que economizam cerca de 30% de energia;</li> 
  <li>Mantenha o ar-condicionado entre 24ºC e 26ºC;</li> 
  <li>Ao chamar o elevador, acione apenas a seta de descida ou de subida, conforme a sua necessidade.</li> 
</ul> 
<p><em>Outras atitudes</em> </p> 
<ul> 
  <li>Plante árvores;</li> 
  <li>Use papel e embalagens que possam ser reutilizados e evite o uso de materiais que depois vão para o lixo, como&nbsp;copos plásticos;&nbsp;</li> 
  <li>Separe o lixo reciclável (se um terço do material reciclável no Brasil fosse reaproveitado, a energia economizada abasteceria uma cidade de até 10 milhões de pessoas);&nbsp;</li> 
  <li>Descubra de onde vem a carne, já que 70% das áreas são desmatadas para novas pastagens;&nbsp;</li> 
  <li>Só compre madeira com o selo FSC, que é a garantia de que ela foi extraída corretamente.</li> 
</ul>]]></description>
		<author>Marcos Bastos</author>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=7</guid>
		</item>
				  <p><a href="/artigo/artigo.php?seqArtigo=3">Por que um livro de Copérnico vale mais de 2 milhões de dólares? (17/07/2008)</a></p>
		<item>
		<title><![CDATA[Artigo - Por que um livro de Copérnico vale mais de 2 milhões de dólares?]]></title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=3</link>
		<description><![CDATA[<span style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial"> 
  <p align="justify" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><img height="174" alt="Exemplar arrematado na Christie`s" width="318" align="right" border="0" style="WIDTH: 318px; HEIGHT: 174px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_1_novo.JPG" />A famosa casa de leilão Christie's vendeu recentemente, em Nova York, por mais de US$ 2,2 milhões, um exemplar da primeira edição do livro <i>De Revolutionibus Orbium Coelestium</i> <span lang="EN-US" mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" ar-sa?="" en-us;="" style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial">–</span> <em>Sobre a Revolução dos Orbes Celestes</em> <span lang="EN-US" mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" ar-sa?="" en-us;="" style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial">–</span>, do astrônomo polonês Nicolau Copérnico, editado em Nurenberg, em 1543.</span> </span></p>
  <p align="justify" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
  <p align="justify" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Assim como a <i>Divina Comédia,</i> de Dante Alighieri, impresso doze anos mais tarde, esse livro estava destinado a tornar-se um dos maiores clássicos de todos os tempos. Ambos estão também ligados por uma curiosidade: os títulos consagrados não correspondem exatamente ao que os autores planejaram. De fato, a <i>Comédia, </i>concluída em 1321, teve o adjetivo “<i>divina</i>” acrescentado ao título nessa edição de 1555, realizada em Veneza, sob a responsabilidade do erudito Ludovico Dolce; já as palavras “<i>orbium coelestium</i>” foram adicionadas&nbsp;sem o conhecimento nem de Copérnico, nem do editor, Rheticus.</span></span></p>
  <p align="center" class="Section1"><img height="363" alt="Frontispício do Livro" width="272" align="middle" border="0" style="WIDTH: 272px; HEIGHT: 363px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_2.JPG" /></p>
  <p align="justify" class="Section1"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Não foi revelado quem ou qual instituição adquiriu a obra de Copérnico.&nbsp;O lote, posto à venda pelo médico aposentado e astrônomo amador Richard Green, continha também obras de Kepler, Newton, Einstein, Darwin e Marx, cujos valores individuais não foram revelados. Sabe-se que todos os livros alcançaram a soma de pouco mais de US$ 11 milhões, incluindo as comissões da Christie’s.</span></p>
  <p align="justify" class="Section1"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Mas por que <em>De Revolutionibus</em> teria&nbsp;um custo&nbsp;tão alto?</span></p>
  <p align="justify" class="Section1"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Do ponto de vista de um bibliófilo ou de um bibliotecário talvez já fosse suficiente saber que tanto a primeira edição quanto a segunda (Basle, 1566) tiveram tiragens que variaram entre 400 e 500 cópias. Há registros atuais da localização de 250 exemplares da primeira edição e de 290 da segunda. É importante lembrar que o livro de Copérnico foi incluído no&nbsp;<em>Index, </em>relação&nbsp;de livros proibidos da Igreja Católica, em 1616, sem, no entanto, ter sido proscrito. Censurado na Itália, na Espanha e em Portugal, foi retirado do <i>Index </i>somente em 1758. Além disso, os exemplares tiveram de&nbsp;sobreviver a um grande número de guerras no continente europeu e a períodos de grande barbárie. </span></p>
  <p align="justify"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;<img height="220" alt="" width="167" align="right" border="0" style="WIDTH: 167px; HEIGHT: 220px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_3_new.JPG" /></span></p>
  <p align="justify">&nbsp;</p>
  <p align="justify"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">O professor Owen Gingerich, de Harvard, dedicou-se a verificar a veracidade da afirmação inusitada de Arthur Koestler de que “ninguém havia lido” o principal livro de Copérnico. O resultado desse trabalho,&nbsp;publicado em <em>The Book Nobody Read: Chasing the Revolutions of Nicolaus Copernicus</em>,&nbsp;apresenta quem são (ou foram) os proprietários do livro e o que eles anotaram nas margens, traçando uma espécie de trajetória viva da revolução copernicana.</span></p></span>
<p align="justify" class="Section1">&nbsp;</p>
<p align="justify" class="Section1">&nbsp;</p>
<p align="justify" class="Section1">&nbsp;</p><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">
  <p align="justify" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Independentemente de sua raridade,&nbsp;o <i>De Revolutionibus</i> estaria em qualquer lista dos&nbsp;dez livros que tiveram grande&nbsp;influência sobre a Ciência e sobre os homens.&nbsp;</span><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Alexandre Koyré, h<span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">istoriador da Ciência,&nbsp;</span>afirma com muita propriedade:</span></p><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px">
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" bold?="" mso-bidi-font-weight:="" 12.0pt;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">"O ano de 1543, ano da publicação do <em>De Revolutionibus Orbium Coelestium</em> e&nbsp;da morte do autor, Nicolau Copérnico (1473-1543), marca uma data importante na história do pensamento humano. Estamos tentados a considerar essa data como significando o fim da Idade Média e o começo dos tempos modernos, porque, mais que a conquista de Constantinopla pelos turcos ou a descoberta da América por Cristóvão Colombo, ela simboliza o fim de um mundo e o começo de outro."</span></span></p></blockquote><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">
      <p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">É nessa obra que Copérnico defende seu sistema heliocêntrico, em oposição ao sistema geocêntrico. Rompe, assim, com a unidade do sistema aristotélico, adotado pelo cristianismo como um dogma, com o auxílio de São Tomás de Aquino. Não é apenas a Terra que deixa de ser o centro do mundo; o homem deixa, igualmente, de estar no centro do universo, assumindo uma posição mais periférica, da qual nunca mais saiu. Em ambos os casos, a publicação de <i>De Revolutionibus</i> representa&nbsp;o fim do homem e do mundo medievais. A crise causada pela revolução copernicana, no que se refere à unidade da descrição científica do mundo, somente será apaziguada pelo genial trabalho de Isaac Newton. </span></p>
      <p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Do ponto de vista da história internalista da Ciência, Copérnico dá uma importante contribuição para compreender os mistérios dos céus. Note-se que a frase assinalada em amarelo na reprodução do frontispício de <i>De Revolutionibus</i> é, na verdade, a mesma que Platão teria&nbsp;registrado na porta de sua Academia:&nbsp;<em>Proibida a entrada de quem ignora Geometria</em>.</span></p></span>
    <p dir="ltr" align="center" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><img height="76" alt="Proibida a entrada de quem ignora Geometria." width="304" align="middle" border="0" style="WIDTH: 304px; HEIGHT: 76px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_4.JPG" /></span></p><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">
      <p align="justify"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Assim, Copérnico faz questão de declarar aos seus leitores, já na folha de rosto, que a <i>Geometria</i> é o caminho para revelar os mistérios dos céus. Esse caminho, adotado por Kepler, Galileu, Einstein e tantos outros cientistas, mudou para sempre o modo de fazer Ciência. </span></p>
      <p align="justify"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">A experimentação e a Matemática, em especial a Geometria, eram os ingredientes que ainda estavam por ser incorporados de forma definitiva ao método cientifico pelo gênio de Galileu Galilei (1564-1642). Mas antes dele, já Leonardo da Vinci (1452-1519) via na experimentação um instrumento de honestidade intelectual, como expressa com muita clareza na seguinte passagem:</span></p></span><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px">
      <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><em><img height="191" alt="Leonardo da Vinci" width="137" align="right" border="0" style="WIDTH: 137px; HEIGHT: 191px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_5_new.JPG" /></em></span></span></p>
      <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
      <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">"Meu propósito é resolver um problema <em>científico </em>em conformidade com a experiência (...) e devemos consultar a experiência em uma certa variedade de casos e circunstâncias, até podermos extrair deles uma regra geral que esteja contida nos mesmos (...). Eles nos conduzem a ulteriores investigações da natureza e a criações da arte. Impede-nos de iludirmos a nós mesmos, ou a outros, ao acenarmos com resultados que não possam ser obtidos."</span></span></p></blockquote>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Galileu partilha&nbsp;a opinião de Leonardo ao fazer esta afirmação, em seu famoso <em>Diálogo</em>, de 1632:</span></span></span></p><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px">
      <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">"Nas ciências naturais, cujas conclusões são verdadeiras e necessárias e não têm qualquer relação com o arbítrio humano, é preciso precaver-se para não se colocar em defesa do falso."</span></span></span></p></blockquote>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">Mais tarde, Galileu refere-se ao Livro da Natureza, no seu <em>Il Saggiatore</em>, afirmando ser ele escrito na linguagem matemática:</span></span></span></span></p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><img height="156" alt="Galileu Galilei" width="124" align="left" border="0" style="WIDTH: 124px; HEIGHT: 156px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_6_new.JPG" /></span></span></span></span></p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">"<span>O grandíssimo Livro da Natureza</span><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"> está escrito em língua matemática e os caracteres são os triângulos, círculos e outras figuras geométricas (...) sem as quais se estará vagueando em vão por um obscuro labirinto."</span></span></span></span></span></p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></span></span><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></span></span></span></span></p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">No "novo mundo" da Ciência que começou a se delinear com Copérnico, Galileu foi o primeiro astrônomo a utilizar o telescópio em toda a sua potencialidade, o que o levou a observar as crateras da Lua e os satélites de Júpiter.</span></span></span></span></span></span></p>
    <p dir="ltr" align="center" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><img height="113" alt="Crateras da Lua" width="113" align="middle" border="0" style="WIDTH: 113px; HEIGHT: 113px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_7.JPG" /></p>
    <p dir="ltr" align="justify" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><img height="220" alt="Retrato de Adele Bloch-Bauer" width="191" align="left" border="0" style="WIDTH: 191px; HEIGHT: 220px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_8_new_3.JPG" /><img height="193" alt="Sandálias inspiradas no filme O Mágico de Oz" width="193" align="right" border="0" style="WIDTH: 193px; HEIGHT: 193px" src="/spaw2/uploads/images/artigo_1_9_new.JPG" />Voltando ao custo, que pode ter parecido alto demais aos olhos do leitor, podemos compará-lo ao preço&nbsp;de um dos quadros mais caros do mundo, o <em>Retrato de Adele Bloch-Bauer</em>, de Gustav Klimt, adquirido por US$ 135 milhões. Por US$ 2 milhões, praticamente o mesmo valor do <i>De Revolutionibus </i>recentemente leiloado, você poderia também adquirir a sandália com fios de platina e 642 rubis, concebida pelo <em>designer</em> Stuart Weitzman, que se inspirou nos sapatos da personagem Dorothy do filme "O Mágico de Oz". Contudo, com toda certeza, nenhum dos dois exemplos foi tão representativo para&nbsp;o destino da humanidade quanto a obra maior de Copérnico.</span></span></span></span></span></span></span></p></span></span>
<p dir="ltr" align="left" style="MARGIN-RIGHT: 0px" class="Section1">&nbsp;</p><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" 10.0pt?="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span mso-bidi-language:="" mso-fareast-language:="" mso-ansi-language:="" times="" new="" roman?;="" pt-br;="" 12.0pt?="" mso-bidi-font-size:="" ar-sa;="" style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">
              <p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial"><strong>Para saber mais: </strong></span></p>
              <p><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">KOYRÉ, Alexandre. <em>La Revolution Astronomique. </em>Paris: Hermann, 1961, p. 15. </span></p></span>
            <p><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">KUHN, Tomas.&nbsp;<em>A Revolução Copernicana.</em>&nbsp;Lisboa: Edições 70, 1990.</span></p>
            <p><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">CARUSO, Francisco. "Do Céu Dourado ao Azul: Uma Importante Mudança no Imaginário Medieval".&nbsp;Disponível em&nbsp;<a target="_blank" href="http://www.faccaocientifica.org/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=117&amp;Itemid=169">http://www.faccaocientifica.org/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=117&amp;Itemid=169</a>.</span></p></span></span></span></span></span></span>]]></description>
		<author>Francisco Caruso</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seqArtigo=3</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=1">ADMINISTRAÇÃO - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - ADMINISTRAÇÃO - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=1</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong></strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 8º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong></strong><br />
            Turno: <strong>Manhã ou Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>120</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">18,14</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=1</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=2">ARTES VISUAIS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - ARTES VISUAIS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=2</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>INSTITUTO DE ARTES - ART</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 12º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel em Artes Visuais</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã ou Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>70</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">9,42</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=2</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=3">CIÊNCIAS ATUARIAIS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS ATUARIAIS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=3</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>INSTITUTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA - IME</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 6º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Atuário</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã ou Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>90</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">5,48</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=3</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=4">CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=4</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>INSTITUTO DE BIOLOGIA ROBERTO ALCÂNTARA GOMES - IBRAG</strong><br />
            Localização: <strong>Av. Professor Manoel de Abreu, 444 - 1º andar - Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel / Licenciado</strong><br />
            Turno: <strong>Integral</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>7</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>15</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>96</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">24,60</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=4</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=5">CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - SÃO GONÇALO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - SÃO GONÇALO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=5</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES - FFP</strong><br />
            Localização: <strong>Rua Dr. Francisco Portela, 1470 - Patronato - São Gonçalo - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Licenciado</strong><br />
            Turno: <strong>Tarde e Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>80</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">6,39</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=5</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=6">CIÊNCIAS CONTÁBEIS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS CONTÁBEIS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=6</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS - FCE</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 8º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã ou Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>120</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">8,03</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=6</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=7">CIÊNCIAS ECONÔMICAS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS ECONÔMICAS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=7</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS - FCE</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 8º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã e Tarde ou Tarde e Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8 ou 10</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>140</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">10,96</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=7</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=8">CIÊNCIAS SOCIAIS - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - CIÊNCIAS SOCIAIS - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=8</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - IFCH</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 9º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel  ou Licenciado</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã ou Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>8 ou 10</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14 ou 18</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>100</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">10,91</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=8</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=9">DESENHO INDUSTRIAL - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - DESENHO INDUSTRIAL - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=9</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>ESCOLA SUPERIOR DE DESENHO INDUSTRIAL - ESDI</strong><br />
            Localização: <strong>Rua Evaristo da Veiga, 95 - Lapa - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Desenhista Industrial / Programação Visual e Projeto de Produto</strong><br />
            Turno: <strong>Integral</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>10</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>14</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>35</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">35,42</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=9</guid>
		</item>
				  <p><a href="/carreira/carreira.php?seqCarreira=10">DIREITO - RIO (31/12/1969)</a></p>
		<item>
		<title>Carreira - DIREITO - RIO</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=10</link>
		<description><![CDATA[
			            <p>Unidade Acadêmica: <strong>FACULDADE DE DIREITO - DIR</strong><br />
            Localização: <strong>Rua São Francisco Xavier, 524 - Pavilhão João Lyra Filho - 7º andar - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ</strong><br />
            Titulação: <strong>Bacharel</strong><br />
            Turno: <strong>Manhã e Tarde ou Tarde e Noite</strong><br />
            Duração Mínima: <strong>10</strong> períodos <br />
            Duração Máxima: <strong>15</strong> períodos<br />
            Vagas Oferecidas: <strong>312</strong><br />
            Relação Candidato/Vaga: </p>
            <table width="70%" border="1" cellspacing="0" bordercolor="#000000">
                <tr>
                    <th rowspan="2" width="40%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas não reservadas</th>
                    <th colspan="3" width="60%" bgcolor="#EEEEEE">Vagas reservadas (sistema de cotas)*</th>
                </tr>
                <tr>
                    <th width="17%">Rede pública</th>
                    <th width="17%">Negros</th>
                    <th width="16%">**</th>
                </tr>
                <tr>
                    <td align="center">18,95</td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                    <td align="center"></td>
                </tr>
            </table>
            <p>* Vagas reservadas para candidatos comprovadamente carentes que se enquadrem em uma das categorias definidas pelas Leis Estaduais 4151/2003 e 5074/2007.</p>
            <p>** Pessoas com deficiência ou pessoas nascidas no Brasil pertencentes a povos indígenas, ou filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.</p>
             <div>
                          </div>]]>
        </description>
		<author>UERJ</author>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/carreira/carreira.php?seqCarreira=10</guid>
		</item>
					  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Discurso, discurso, discurso!</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=36</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="line-height: 180%;">Agora não me fazem uma pergunta, mas me pedem um discurso: as turmas 2009 de Inglês, Alemão e Italiano do Instituto de Letras da UERJ, que me guindaram à honrosa condição de paraninfo na sua formatura, me pedem esse discurso. Discursemos, pois. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">“Senhoras e senhores, meninas e meninos. Em 1973 – crianças, vocês nem sonhavam em nascer – eu dava a primeira aula da minha vida. Esse acontecimento, de que as minhas fatigadas retinas nunca se esquecerão, se deu numa turma do antigo Mobral, Movimento Brasileiro de Alfabetização de Adultos, na favela do Boréu, na Tijuca. Na formatura dessa turma, os alunos se cotizaram e deram dois presentes ao jovem professor: uma camisa social da Casa José Silva, alguém na plateia se lembra dessa loja?, e uma garrafa de vinho do Porto. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Tomei o vinho, é claro, mas não cheguei a usar a camisa, se, como sabem, visto no máximo camiseta hering bem amassada. Entretanto, o carinho daqueles senhores e daquelas senhoras, todos mais velhos do que eu, foi tão forte que prorrompi, como diria Nelson Rodrigues, em verdadeiras lágrimas de esguicho. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Naquele instante descobri 3 coisas sobre a minha vida: primeiro, que eu era um professor; segundo, que eu gostava de ser professor; terceiro, que eu também era um chorão da melhor qualidade. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Esse primeiro momento, pela circunstância, ficou sendo o mais emocionante da minha carreira pelo menos até hoje, quando, 37 anos depois – 37 anos, alguém sabe como se conta isso em termos de vida e profissão? –, vocês me fazem essa homenagem e me colocam nesse lugar – para um professor, o lugar mais nobre de todos. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">O que posso lhes dizer nessa hora, além de: obrigado, muito obrigado? </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Talvez eu possa acrescentar que, pela minha experiência, a experiência de quem desistiu de ser engenheiro civil para virar professor de português e literatura, a opção que fizeram, consagrada hoje, vale todo o sofrimento e todo o esforço de vocês, assim como vale todo o sonho e todo o investimento da família de vocês. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">E vale tudo isso apesar da desvalorização do lugar do professor na sociedade brasileira, vale tudo isso apesar dos riscos de enfrentar os efeitos dessa desvalorização na forma do salário apertado, das condições insuficientes de trabalho, do desrespeito dos alunos e da violência nas escolas. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">No entanto, para valer a pena pelos próximos 37 anos e além, é preciso que mantenham o que sentem dentro de vocês nesta noite. Hoje, todos vocês estão com a cabeça erguida, felizes e orgulhosos de terem chegado até aqui. Para que valha a pena, eu lhes peço apenas, por favor, please, bitte, per favore: não abaixem a cabeça. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Não abaixem a cabeça para as circunstâncias; não abaixem a cabeça para a roda-viva da sobrevivência; não abaixem a cabeça em nome da família recém-constituída, filhos &amp; fraldas &amp; contas &amp; etc; não abaixem a cabeça para as mudanças ciclotímicas das supostas autoridades educacionais; não abaixem a cabeça para pedagógicas entidades abstratas como “o programa” ou “o aluno que queremos formar”. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Enfim, não sejam realistas, termo empolado que disfarça o cinismo ou a acomodação. Como dizia o nosso Machado de Assis, “a realidade é boa, o realismo é que não presta pra nada”. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Porque, como diria Sigmund Freud, por sua vez, educar é uma das 3 profissões impossíveis – as outras são governar e psicanalisar. O que é impossível na educação é controlar os seus efeitos. Se abandonamos a pretensão tecnicista e arrogante de controlar os efeitos do que fazemos em sala de aula, nos encontramos livres para experimentar, nos encontramos livres para fazer o melhor que pudermos fazer, nos encontramos livres para olhar no rosto do aluno real e não no desenho de um modelo abstrato. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Essa liberdade toda nos permite seguir o único método de educação que presta: o método do exemplo. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Se querem ensinar a ler, vocês devem dar o exemplo e ler todo dia e de tudo um pouco, mas principalmente a ficção que nos faz ver o mundo sob outras perspectivas e que nos torna outros. Se querem ensinar a ler, vocês devem dar o exemplo e ler sempre e mostrar sempre para o aluno o que estão lendo, deixando muito claro que não são coitados acorrentados àquele maldito livro didático. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Se querem ensinar a escrever, vocês devem dar o exemplo e escrever todo dia e de tudo um pouco, se possível recuperando os rascunhos dos poemas, dos contos e dos romances que os deixavam tão angustiados e tão felizes antes de fazerem Letras. Se querem ensinar a escrever, vocês devem dar o exemplo e escrever sempre e mostrar sempre para o aluno o que estão escrevendo, deixando muito claro que nunca se aprende a escrever de uma vez para sempre, assim como nunca se aprende a ser ou a viver – a gente apenas vai sendo, a gente apenas vai vivendo e vai levando. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Para terminar nessa linha e assim frustrar aqueles que contavam com um loooongo discurso, eu lhes daria um lema latino para a vida de trabalho e letras que ora formalmente começa: “scribere necesse est, vivere non est”. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Ou, em língua romance: escrever é preciso, viver não é preciso; ler é preciso, saber não é preciso; ensinar é preciso, controlar a quem se ensina não é preciso; sonhar é absolutamente preciso, enquanto realizar o sonho às vezes acontece, às vezes não, mas não é o que mais importa. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Meninas, meninos: boa sorte e muito obrigado!”</p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=36</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Por que um sábio não tem ideia?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=35</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="line-height: 180%;">Em crônica anterior eu lembrava que, pela filosofia oriental, “um sábio não tem ideia”, isto é, não tem opinião. Como assim?, me perguntam. A pergunta espantada é natural, porque a noção oriental colide com a concepção ocidental do sábio como aquele que sabe tudo e portanto tem opinião sobre tudo e mais alguma coisa. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Comparando o sábio ao filósofo, porém, lembramos que a filosofia não implica a posse de nenhum saber. Na verdade, a origem do nome nos diz que a filosofia se constitui na amizade (filo) à sabedoria (sofia). Logo, o filósofo não é aquele que detém o saber mas apenas aquele que tem amizade ao saber. O filósofo tem sede de saber mas ao mesmo tempo sabe que o saber é provisório ou mesmo ilusório. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Qualquer pessoa sente isso quando começa a ler ou a estudar muito: quanto mais se lê, mais livros se precisa ler; quanto mais se estuda, mais se precisa estudar, isto é, mais conscientes nos tornamos da extensão da nossa ignorância. Essa consciência explica os lemas de vários filósofos: Sócrates disse “só sei que nada sei”, Francisco Sánchez, que “nada se sabe”, e Michel de Montaigne se perguntou: “que sei eu?”. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Essa consciência, entretanto, não é generalizada. Quem lê pouco ou nada não chega a sentir falta de ler mais. Por isso, esse tipo de pessoa costuma ser mais arrogante e achar que já sabe tudo. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Mas mesmo quem estuda e até já virou professor pode ver o saber como mero instrumento para conseguir outra coisa – um diploma, uma posição superior, um emprego universitário, quiçá muito dinheiro – e assim deter algum poder sobre as outras pessoas. Nesse caso, o sujeito é estimulado não pela “libido cognoscendi” (pelo desejo de saber) mas sim pela “libido dominandi” (pelo desejo de dominar). </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Aquele que realmente deseja saber, no entanto, toma o saber como um fim em si mesmo, ainda que no limite inatingível, e não como instrumento para conseguir outra coisa, mostrando-se amigo da sabedoria e não seu dono. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">O meu leitor pragmático retruca que essa postura desinteressada do filósofo pode ter sentido em um mundo ideal, mas no mundo real em que vivemos as ações e os pensamentos são regidos por interesses imediatos e necessidades bem práticas. Respondo-lhe que o ideal pode ajudar o real, funcionando como uma espécie de horizonte na direção do qual dirigimos nossas ações, mesmo que ele se afaste à medida que a gente dele se aproxima. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Dizia eu em outra crônica que, pela perspectiva humana, jamais podemos ver uma maçã inteira, logo, jamais podemos saber tudo sobre uma simples maçã. A maçã é uma metonímia da “coisa”, isto é, de todas as coisas e todos os fenômenos. Não podemos saber tudo sobre qualquer fenômeno ou acontecimento. Ora, se nunca podemos saber tudo, então também não podemos saber quanto falta para saber esse tudo, logo, não podemos saber se o que sabemos é válido e verdadeiro. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Entretanto, ainda precisamos saber: qual é a causa dos sintomas desse paciente, quem matou aquela vítima, se vai chover amanhã, como interpretar este texto. O médico pode fazer o diagnóstico a partir do primeiro sintoma, o policial pode prender imediatamente o amante, o meteorologista pode afirmar que vai chover sim porque ontem choveu em São Paulo, o leitor pode dizer que o texto é chato porque o autor escreve mal. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">As chances de todos eles errarem feio são enormes. O que o médico, o policial, o meteorologista e o leitor devem fazer? </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Devem pensar que o contato com o problema os faz começar a saber, mas que ainda não sabem. Para se aproximarem da verdade desejada eles precisam, além de continuarem a observar e a perguntar, também adiar a conclusão o máximo de tempo que puderem e que conseguirem, de modo que tal conclusão surja naturalmente do acúmulo de evidências. É isso que os gregos antigos e os fenomenólogos modernos chamam de “epoché” e que nós podemos traduzir como “suspensão de juízo”. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Não é possível suspender infinitamente o juízo e a conclusão sobre as coisas porque em alguma hora temos de nos posicionar – desde que saibamos que a conclusão será sempre provisória e de acordo com os dados disponíveis. Para que esta conclusão se sustente, naquele momento pelo menos, é preciso retardá-la o máximo possível. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A leitura dos romances policiais de Georges Simenon oferece um exemplo pedagogicamente excelente. Quando perguntam ao protagonista desses romances, o inspetor Jules Maigret, o que está achando de determinado crime, ele sempre responde: “eu nunca acho nada”. Ele luta para não formar uma opinião porque essa opinião o levaria a investigar numa única direção. Por isso Maigret procura como que se encharcar do acontecimento, do ambiente e das pessoas envolvidas até que a intuição e a razão se associem para deixarem surgir a solução do crime. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Maigret nos dá a chave de qualquer procura da verdade e da resposta: “deixar surgir” ao invés de arrancar a fórceps. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A leitura de textos filosóficos sobre a “epoché” ajuda muito a prática cotidiana de médicos, policiais, meteorologistas, leitores e quaisquer profissionais, mas penso que a leitura das histórias do inspetor Maigret é valiosa pela mesma razão: como o sábio oriental e o personagem francês, precisamos não ter ideia e não “achar” nada, permitindo que a ideia – o diagnóstico do paciente, a solução do crime, a previsão do tempo, a interpretação do texto – surja à nossa frente no tempo adequado.</p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=35</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Você também é contra Paulo Coelho?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=34</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="line-height: 180%;">Como na crônica passada falei contra o popular programa de televisão “Big Brother”, logo me perguntam se também sou contra o mais popular escritor brasileiro de todos os tempos, Paulo Coelho. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A comparação entre o programa e o escritor é inadequada. Não gosto do que ele escreve, mas não me vejo nem contra ele nem contra quem o leia. O “Big Brother” definitivamente faz mal, enquanto a literatura de Paulo Coelho não faz mal nenhum, ao contrário. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Não apenas é melhor lê-lo do que não ler nada, como sua leitura pode servir de entrada para textos mais elaborados. Para o sistema editorial brasileiro, então, o autor só faz bem, empurrando para cima as editoras, as livrarias e os outros livros, logo, todos que vivem nesse e desse mercado. Sua fama internacional é incontestável: em qualquer livraria do mundo os seus livros se exibem na porta de entrada, o que significa que vendem muito bem. Que um escritor brasileiro seja tão conhecido, e o seja sem explorar os clichês exóticos dos trópicos e do subdesenvolvimento, sem dúvida abre portas internacionais para muitos outros escritores brasileiros. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Como pessoa e figura pública, Paulo Coelho normalmente se comporta de maneira bastante digna. Apesar da riqueza, não a ostenta; apesar de apoiar ações sociais importantes, não se gaba disso a todo instante; apesar da popularidade, mostra interesse em ser lido e aceito pela elite cultural e universitária; apesar de realmente não ser aceito por essa elite, não responde às críticas que recebe nem com grosseria nem com ironia. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Como acho que ele não escreve bem, fico tentado a considerar que seu sucesso literário é puro efeito de mágica, ou seja, que Paulo Coelho seja realmente o mago que diz ser. Essa explicação, todavia, não explica nada. Esforçando-me mais um pouco, percebo esse sucesso literário como efeito de uma combinação feliz entre uma determinada “persona” muito bem construída e os temas desencavados pelo escritor. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">O escritor busca os seus temas nas narrativas folclóricas e religiosas de vários povos, mas principalmente do povo árabe, não por acaso origem esquecida da civilização, da ciência e do pensamento ocidental. Seu romance mais popular, “O Alquimista”, é uma história milenar do folclore árabe. Ao mesmo tempo, ele constrói com habilidade a imagem de um “verdadeiro” mago medieval em pleno século XXI. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A combinação desses temas com essa imagem de si mesmo funcionou e tem funcionado muito bem, porque semelhante combinação atende à contradição do nosso tempo: ao mesmo tempo que a espécie humana tornou-se, graças à ciência e à tecnologia, mais poderosa do que nunca (tanto que pode exterminar a si mesma várias vezes seguidas), o ser humano como indíviduo percebe-se mais frágil do que nunca, sem conseguir entender nem as forças que desencadeou nem o seu próprio computador supostamente pessoal. Nessas condições, o apelo irracionalista de Paulo Coelho, combinando magia e sabedoria ancestral, ou seja, pré-científica, é atendido por milhões ao redor do planeta. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Todos esses argumentos aparentemente favoráveis autorizam não apenas que se leia Paulo Coelho, mas que se adote Paulo Coelho normalmente nas escolas e nas universidades? Ups, vamos com calma. Se não vejo problema que alguém leia Paulo Coelho, hesito muito em dizer o mesmo quanto a indicar seus livros para os alunos. Se isso for feito criticamente, mostrando toda essa discussão e seus problemas estéticos, pode ser uma ousadia interessante. Se, entretanto, isso for feito apenas para aderir a uma moda e assim também “comprar” os alunos com uma literatura fácil, o professor comete um erro crasso: ele abdica de pensar e de fazer pensar. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A adoção ou indicação de um romance pelo professor e pela escola é uma das formas mais fortes de legitimá-lo. Em outro momento podemos discutir porque a escola e os professores trabalham mal com autores de vanguarda, mas nesse momento essa discussão é impertinente. O escritor de que estamos falando encontra-se, esteticamente falando, na retaguarda: sua literatura é conservadora em termos morais e reacionária em termos estéticos. Indicar Paulo Coelho como se ele estivesse no mesmo nível de um Graciliano Ramos ou de um Érico Veríssimo presta um desserviço à formação mental e cultural dos alunos. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Para dizer isso, não sou daqueles que não leu e não gostou. Dei-me ao trabalho de ler alguns livros do nosso mago. Nessa leitura, à exceção de “O Alquimista” (que não é exatamente dele, como já expliquei), encontrei tramas superficiais, significados unívocos e frases pobres – sem contar os erros de português que ele não deixa os revisores corrigirem (porque a magia que faz o sucesso do livro pode se encontrar num desses erros!). Não há desafio na leitura porque não há qualquer enigma a desvendar nem qualquer ambiguidade que tire o leitor da sua perspectiva habitual. Nesse sentido, seus livros cabem perfeitamente na rubrica de “auto-ajuda” das livrarias: o leitor gosta porque escuta o eco da sua própria voz, a voz do senso comum e da moral vigente. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">A questão mais grave, porém, reside justamente na imagem do autor, que se sobrepõe, gigantesca, sobre a sua obra – tanto que normalmente a capa dos livros mostra as letras do nome “Paulo Coelho” muito maiores do que as do título. Desse modo, o título e o próprio livro se tornam de somenos importância, quase que um detalhe irrelevante, porque o que se vende não é literatura mas sim a “persona” do autor – nesse caso, a “persona” de um mago tão bem sucedido que ainda por cima é milionário. Enquanto o escritor “de verdade”, digamos assim, desaparece atrás da sua obra, o que faz com sofrimento, Paulo Coelho não só não desaparece como aparece em todos os jornais e revistas do mundo. Milhões até compram os seus livros, concedo, mas duvido que de fato o leiam, porque o que realmente queriam comprar era uma “casquinha” dessa imagem mágica e bem sucedida do autor. </p> 
<p align="justify" style="line-height: 180%;">Como homem, no entanto, admiro o homem Paulo Coelho e sua inteligência; como escritor, confesso que morro de inveja dos números das suas vendas (quem me dera!); mas como professor acredito que o fenômeno “Paulo Coelho” possa até ser discutido na sala de aula, mas sua “literatura” (que agora ponho entre aspas) não deve ombrear com os livros que indicamos, se nós os indicamos porque eles nos fizeram pensar e porque, assim, queremos dar o que pensar a nossos alunos. </p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=34</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - O "Big Brother" é um programa educativo?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=33</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Já ouvi esta pergunta em sala de aula, algumas vezes como afirmação e não como pergunta. A defesa desse programa popular da televisão faz parte da velha briga “elite” versus “povo”. Professores condenariam programas populares em geral, este em particular, por puro preconceito contra o gosto do povo, tentando impor a seus alunos um gosto elitista. A audiência maciça do programa em sucessivas edições, por sua vez, comprovaria que a escola está errada e o povo, certo. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Não posso negar que a escola defenda posições da elite, mas nem sempre essas posições são “elitistas” (no sentido negativo do termo). Ao mesmo tempo, o argumento de que o povo está sempre certo é um caso clássico de “falácia do consenso”. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Não há motivo lógico em se considerar a maioria ou sequer a totalidade das pessoas como autoridade legítima no que quer que seja. Sempre se torna necessário perguntar qual a evidência em que “todo mundo” apoia as suas ideias para entendê-las corretas. Sustentar-se no consenso (ou no Ibope) implica abdicar da própria opinião para melhor se dissolver no rebanho das ovelhas passivas, embora humanas. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Inovadores científicos e artísticos como Galileu e Da Vinci sempre precisaram defender as suas ideias contra o medíocre consenso da época. Suas obras insistiram por eles até o chamado “senso comum” se render às evidências. A tal da “sabedoria coletiva” muitas vezes não passa de estupidez ou histeria igualmente coletivas. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Da constatação da falácia do consenso não se segue, entretanto, que o povo estaria sempre errado, quando incorreríamos na falácia oposta. Logo, é preciso discutir caso a caso, como sempre. No caso específico do "Big Brother", minha posição, lamento, é “elitista” (no sentido positivo do termo, creio): considero o programa não apenas antieducativo como profundamente imoral, a ponto de vê-lo como filho legítimo do pior de todos os regimes políticos.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O nome do programa faz alusão direta ao personagem do romance "1984", de George Orwell. Nesse romance, escrito em 1948, projetava-se um futuro terrível em que todas as pessoas são observadas todo o tempo em todos os lugares por telas e câmeras de vigilância, supostamente por um “Grande Irmão” generoso, na verdade um tirano cruel. Esse tirano mantém poder absoluto graças à tecnologia das telas de vigilância e a diversas técnicas de tortura e lavagem cerebral.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O “Big Brother” de Orwell se inspira claramente nos grandes tiranos do nosso tempo: Hitler e Stálin. No seu romance o escritor inglês critica frontalmente os campos de concentração nazistas, mostrando-os como um projeto terrível de sociedade. Nesses campos, a principal tortura é a eliminação metódica da individualidade. Não bastava matar todos os judeus, era preciso antes acabar cientificamente com qualquer resquício de dignidade deles.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como é que o horror do "Big Brother" se tornou um programa televisivo de entretenimento, a ponto de se achar que ele pode ser “educativo”? Trata-se de uma ironia perversa. No Brasil essa ironia se amplia, porque o apresentador oficial do programa é um jornalista bem apessoado, culto, poeta nas horas vagas, conhecido por comandar entrevistas de arte e literatura. A simples existência do programa é um sintoma claro de que o nazismo não foi completamente derrotado e de que a previsão apocalíptica de Orwell vem se realizando ao menos em parte, e em parte importante: na televisão que invade todos os lares.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O programa é ainda mais poderoso do que os campos nazistas porque para eles as pessoas eram arrastadas à força, enquanto para o programa elas se oferecem aos milhares. Chamar o programa de “reality show” é mais uma ironia, porque a “realidade” que se oferece aos espectadores é toda construída artificialmente, quando se confinam pessoas desesperadas por fama e dinheiro para que delas aflore o que o ser humano tem de pior. Os participantes tornam-se cobaias de laboratório na mão ou no “olho” não apenas do apresentador como dos espectadores. Isso significa que o programa não afeta somente os participantes, tornando-os patéticos e deprimentes, mas principalmente os espectadores, tornando-nos torturadores virtuais. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Para finalizar, recorro às palavras revoltadas e iluminadas do jornalista Marcelo Migliaccio, do “Jornal do Brasil”: “alegrem-se, retardados mentais, sádicos, masoquistas e cínicos, o tratador acaba de abrir a porta da jaula para lhes dar sua ração anual de lixo perfumado. Vai começar o retrato mais nítido do apocalipse, o Big Brother Brasil 10.”</p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=33</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Todo mundo tem que ir para a faculdade?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=32</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Perguntas delicadas não têm respostas simples. Neste caso, respondo “não” e “sim”. Não: nem todo mundo precisa fazer faculdade. Sim: todo mundo deve ter condições de fazer faculdade se quiser. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O leitor percebe que, como na questão das cotas, o “não” e o “sim” não são simétricos. Ambos são compossíveis porque se sustentam em argumentos diferentes. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Quando digo que nem todo mundo precisa fazer faculdade, apenas constato o óbvio: a universidade não é o único caminho possível para a realização pessoal e profissional. Muita gente trabalha em profissões perfeitamente dignas, algumas remunerando bem, outras até muito bem, que não exigem formação universitária. Os exemplos se espalham à nossa volta. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Entretanto, todos deveriam poder escolher entre fazer ou não fazer faculdade. Para tanto, todos deveriam ter acesso a uma educação básica de qualidade para disputar nas mesmas condições a possibilidade de entrar na universidade. Atendendo ao que for específico de cada curso, a universidade, como curso considerado não por acaso “superior”, deve continuar selecionando sempre pelo mérito intelectual. Para tanto, a mensuração desse mérito, que é individual, não pode ser afetada por razões de ordem completamente outra, como cor da pele e condição econômica da família (para entender como concilio este princípio com a defesa das cotas, favor reler a <a title="Você é contra ou a favor das cotas?" target="_blank" href="/coluna/coluna.php?seq_coluna=22" shape="rect">crônica</a> a respeito). </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas da primeira constatação, de que nem todo mundo precisa fazer faculdade, não se conclui de modo algum que algumas pessoas “têm” de fazer faculdade e que outras nem devem tentar. Quem torce o argumento desse jeito se encontra na classe média ou alta e, com voz piedosa, defende que o filho do pobre “não precisa” fazer faculdade até para não se frustrar, que ele deve fazer apenas um bom curso técnico. Semelhante opinião esconde o desejo de que haja uma escola para o filho do rico e outra para o filho do pobre. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Infelizmente, essas escolas diferenciadas já existem, pelo menos nos ensinos fundamental e médio: a escola particular dedica-se aos filhos da classe média e alta enquanto a escola pública dedica-se aos filhos da classe mais baixa. Que a escola pública também seja “pobre” (em vários sentidos), que seus professores ganhem menos do que na escola particular (especialmente no Rio de Janeiro), que muitos desses professores faltem muito (embora assíduos nas escolas particulares em que também trabalham), apenas reforça a divisão. A divisão, todavia, nem sempre parece tão clara porque, reconheço, há escolas públicas de qualidade assim como escolas particulares sem qualidade – mas a confusão faz parte do logro assim como as exceções confirmam a regra. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O relato de um episódio recente mostra bem como continua forte essa concepção elitista de educação. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Uma ex-aluna minha do curso de Letras da UERJ trabalha como professora numa escola pública de cidade do interior fluminense. Na sala dos professores escuta os colegas cumprimentando um deles pelo carinho que desperta nos alunos. Já está quase se emocionando quando esse professor, modesto, diz que os alunos gostam dele porque ele só dá o que eles podem receber, que aquele público não pode receber muita coisa, nem estão interessados, então ensinar pra quê? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A moça, não por acaso negra, se horroriza mas se segura, para não brigar com os colegas. Mas a coisa piora. O professor acrescenta que não fica nessa de incentivar “esses” alunos a irem para a faculdade porque eles têm de ser bons naquilo que eles podem: um bom marceneiro, um bom gari... A coisa piora ainda mais, porque vários colegas concordam com o professor. Aí a minha aluna fica vermelha (o quanto possível para a sua cor, como ela mesma brinca) e pergunta: “mas o seu filho vai pra faculdade, não vai?” </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Silêncio mortal. Não satisfeita, ela continua: “se a educação pública está essa porcaria que está, a culpa não é só dos governos que deixaram de valorizar os professores, mas também de professores que têm pensamentos como esse”. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O leitor imagine o mal estar geral na sala cheia. Enquanto ela pensava, “ih, tô queimada”, também imaginava o quanto de suas dificuldades não seria resultado de conhecimentos que deixou de aprender porque teve professores como esse, que a viam como parte de um público que não queria aprender nem estudar. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em tantos anos de magistério, esse tipo de conversa não me surpreende, mas a atitude temerária da minha ex-aluna, sim. Ela realmente cria um belo mal estar. Essas pessoas merecem, diria o meu leitor indignado. Concordo, mas não concordo que a moça sofra as consequências da sua coragem, o que pode acontecer. Daí a aconselho, um tanto atrasado, que engula em seco num momento para no momento seguinte transformar sua justa revolta numa palestra, num artigo ou numa crônica, quando aquelas mesmas pessoas a ouviriam e a leriam com atenção, mas sem se perceberem alvos da crítica – afinal de contas, errado é sempre o outro. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O leitor, esperto como sempre, me provoca: ah, é isso que você está fazendo, inventando uma ex-aluna negra para se disfarçar atrás dela, você é que queria falar essas coisas no meio da sala dos professores... </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Talvez, meu amigo. Talvez. </p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=32</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Quem cola sai da escola?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=31</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A “cola” na escola é a prática de furtar ideias e respostas alheias nas situações de avaliação. Trata-se de um fenômeno tão recorrente que gera a palavra de ordem dos corredores: “quem não cola não sai da escola”. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A recorrência do fenômeno sugere que a prática da cola seria ou um problema menor ou um problema insolúvel. Aqueles que a veem como problema menor defendem que muitas vezes a cola pode até estimular a criatividade dos alunos, tantos são os meios inventados para burlar a vigilância de professores e inspetores. Aqueles que a veem como problema insolúvel defendem que a essência do ser humano é ruim, logo, se faz necessário aumentar o controle para que os alunos, pelo menos, colem menos. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De fato, trata-se de um problema. Defendo, no entanto, que esse problema não é nem menor nem insolúvel. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por que a cola não é um problema menor? Porque através da sua prática o futuro cidadão “aprende” a desonestidade intelectual, exatamente a matriz de todo tipo de corrupção que assola o país. Através da prática da cola o futuro cidadão aprende a subornar, a aceitar suborno e a avançar o sinal vermelho. Minimizar a importância da cola implica minimizar suas graves consequências para toda a sociedade. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por que a cola não é um problema insolúvel? Porque ela é fabricada pela própria escola, que dela precisa para estruturar e justificar seu complexo sistema de controle e poder. Na verdade, a cola é a sombra da própria escola. Se percebermos como isso acontece, podemos mudar as práticas escolares que instituem e promovem a cola. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Na escola são tantas as disciplinas que o conhecimento fica todo esfacelado. Nenhum professor pode dar conta de toda a matéria que se ensina aos alunos em todas as disciplinas, mas todos os professores exigem que seus alunos deem conta do que eles mesmos não conseguem. Tanta divisão provoca fragmentação do conhecimento e alienação dos professores. Os alunos não veem mais no professor a figura do Mestre e não transferem o que aprendem de uma disciplina para a outra – por exemplo, escrevem “certo” apenas na aula de português. Os professores não sabem o que os colegas ensinam, mas obrigam seus alunos a aprender sua matéria como se fosse a única. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Para ocultar a fragmentação e a alienação, é preciso reforçar o controle sobre os alunos através de sucessivos exames das múltiplas disciplinas. O aluno, pressionado por tanto exame de tanta matéria, e ao mesmo tempo percebendo que seus professores não sabem tudo o que eles teriam de saber, tenta escapar pela cola. A escola então se vê obrigada a criar mecanismos de repressão à cola. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No entanto, como quem passou pela escola sabe bem, esses mecanismos são em geral ineficientes. Um número muito pequeno de alunos é “pego” colando, o suficiente apenas para manter a impressão de repressão. Punem-se somente aqueles que colam muito mal. Isso significa que professores e inspetores são bobos? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Não. Na verdade, o controle deficiente da cola revela-se um procedimento eficiente de promovê-la. Promove-se assim a desonestidade e, ao mesmo tempo, a dependência intelectual. Quando consegue colar o aluno comemora sua vitória sobre o professor, sem perceber que introjeta tanto a desonestidade quanto a insegurança. Sua vitória é uma derrota. Quem cola, na verdade, não sai da escola, porque fica preso dentro do seu sistema viciado e viciante. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Apesar da institucionalização da cola, o professor se indigna quando consegue pegar um aluno colando. A indignação oculta a seus próprios olhos o constrangimento de reconhecer que faz parte de um logro, que ele mesmo é peça de um jogo cujas regras não são claras. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A escola estimula a cola quando a reprime propositalmente mal; quando submete o aluno a tantas disciplinas fragmentadas, cada uma delas com exigências cumulativas e conflitivas entre si; quando testa e examina o aluno toda semana, às vezes todos os dias de uma única semana; quando junta todos os alunos dentro de uma sala apertada, com os colegas do lado a menos de um metro; enfim, quando seus testes são de múltipla escolha. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A tal da múltipla escolha pode ser resolvida sem esforço pelo chamado “rabo de olho”. A própria expressão “múltipla escolha” revela contradição flagrante: o aluno precisa encontrar a única resposta certa, ou seja, ele não tem escolha nenhuma. Ao contrário, ele tem muito mais chance de errar do que de acertar. A múltipla escolha é irmã gêmea da cola. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Meu leitor sempre inteligente se espanta: você escreve contra a múltipla escolha dentro da revista do vestibular que recorre anualmente a testes de múltipla escolha! </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Explico: a situação de testes de massa que envolvem milhares de pessoas é muito diferente da sala de aula. Normalmente os candidatos não facilitam a cola, se disputam poucas vagas entre si. Ao mesmo tempo a repressão à cola se torna eficiente, para não pôr sob suspeita o exame. Ainda assim defendo, nesta democrática Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ, que mesmo os exames vestibulares sejam exclusivamente discursivos, justo para não darem à escola a desculpa para usarem testes de múltipla escolha – na verdade, testes de falsa escolha. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Não acho que a cola torne ninguém mais esperto. A prática da cola fabrica antes pessoas simultaneamente desonestas e inseguras. Logo, sou contra a cola. Mas também sou contra a repressão à cola, porque ela na verdade estimula essa prática. O que fazer? Como sempre, a solução se encontra na raiz do problema. Essa raiz deve ser arrancada. Para fazê-lo, devemos modificar as condições escolares que criam e promovem a cola. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Algumas mudanças necessárias, como mexer no sistema de disciplinas fragmentadas da escola, são muito difíceis (nem por isso menos necessárias). Mas há uma mudança que todos podemos realizar agora. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Primeiro, rebatize-se a cola com o nome de “consulta”. Em seguida, torne-se a consulta obrigatória. Como? Decrete-se que todas as avaliações sejam discursivas. Depois, permita-se e estimule-se a consulta ampla, geral e irrestrita em todas as avaliações. A seguir, determine-se que toda resposta do aluno deva ser justificada, não só com os cálculos mas principalmente com uma explicação discursiva e extensiva dos passos do seu raciocínio. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O aluno também poderia consultar o trabalho do colega ao lado? Sem dúvida. Preservando-se um certo ambiente e clima de silêncio, a consulta ao colega simula a situação usual de trabalho coletivo em laboratórios, empresas, redações, escritórios e hospitais. Trocar ideias e mesmo respostas com o vizinho não exime o aluno de construir com as próprias palavras a sua justificativa. Se ele consegue defender com argumentos sua resposta, tanto faz se com muita ou pouca ajuda alheia, isso significa que ele aprendeu. Ora, algum mestre deseja outra coisa? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Transformar a cola em consulta assume o conhecimento como uma construção permanente. Provas com consulta exigem menos questões, portanto exigem que se abandone a pretensão de testar a matéria toda. Já se sabe há muito que o aluno não precisa decorar a matéria toda, mas sim saber procurar o conhecimento quando precisa dele. Ou seja, o aluno precisa aprender a pesquisar, vale dizer, a fazer consultas. Logo, provas com consulta são o meio lógico para ensiná-lo a pesquisar e a pensar. Na verdade, provas com consulta tendem a ser mais difíceis, qualquer aluno sabe — mas sente que tem a sua inteligência respeitada e estimulada. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em resumo: no meu entender, quem cola é que não sai mesmo da escola – porque fica preso numa postura infantil e subalterna, sempre dependente do conhecimento alheio. Logo, precisamos acabar com a cola. Todavia, como procurei demonstrar, a repressão à cola apenas provoca mais cola. Logo, precisamos transformar a cola em outra coisa, a saber: em consulta ampla, geral e irrestrita. Para fazê-lo, precisamos modificar o instrumento básico de avaliação da escola, exigindo que todos e não menos do que todos os testes e exames sejam discursivos.</p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=31</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Tudo é ficção?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=30</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Terminava eu a crônica anterior afirmando que temos necessidade de ficção. Essa necessidade é tanto psicológica quanto antropológica. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A necessidade de ficção é psicológica porque a ficção nos ajuda a enfrentar a realidade finita que limita drasticamente a nossa própria vida. A necessidade de ficção é antropológica por não ser apenas do indivíduo mas de toda a cultura, a tal ponto que todos os discursos que conhecemos – da ciência, da história, da política, da religião – têm uma estrutura ficcional.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Com isso afirmo que tudo é ficção? Absolutamente não. Da tese de que todos os discursos são ficcionais não se deduz a hipótese de que tudo seja ficção, portanto que não exista coisa tal como a realidade. Creio firmemente que eu, o leitor, as coisas e a realidade existimos – apenas não tenho e não posso ter acesso pleno à realidade toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Através dos meus sentidos tenho acesso apenas a uma pequena parte da realidade: não posso enxergar em mais de três dimensões, não posso perceber o mundo nem na escala quântica nem na escala astronômica, e também não posso ver a realidade como os demais animais a veem. Pior: não percebo uma dimensão fundamental da existência, a do tempo. Sei que existe coisa tal como o tempo, mas não sei o que é nem como afeta tudo o mais. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Todavia, se meus sentidos são limitados e não me permitem acesso à realidade toda, amplio-os inventando instrumentos (como o microscópio) e linguagens (como a matemática) que me permitem chegar mais próximo. De fato chego aonde meus sentidos não poderiam chegar – mas ainda não chego “lá”, isto é, ainda não consigo ver ou descrever a realidade toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Há muitas provas científicas e filosóficas do que estou falando, mas elas são bastante complexas. Tentemos a prova mais simples da maçã, porém com um alerta: trata-se de uma prova, mas também de uma ficção. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Vamos supor que nos encontramos numa sala de aula e que os queridos leitores são meus alunos. Como antigamente, vocês me trazem de presente uma maçã. Antes de mordê-la eu levanto a fruta na palma da minha mão e lhes pergunto: vocês veem essa maçã? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Todos me respondem: claro, professor! </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Então refino mais a pergunta: vocês veem a maçã toda? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Alguns vão observar, é verdade, não estamos vendo nem a parte de baixo nem o lado da maçã que não se volta para a gente – mas para isso basta o senhor virar esses lados para que nós possamos ver a maçã toda. À parte eu não gostar de ser chamado de “senhor” (o que infelizmente acontece com frequência cada vez maior), respondo que se eu mudar os lados que não se encontram visíveis outros lados ficarão invisíveis – logo, vocês continuarão a não ver a maçã toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O piadista da turma diz que basta que eu levite a maçã, deixando-a suspensa no ar, e ainda coloque em volta alguns espelhos igualmente suspensos no ar para que todos possam ver a maçã toda de uma vez. Ora, como essa maçã é fictícia e como vocês são igualmente alunos fictícios, concordo com o engraçadinho e faço a experiência da levitação com a maçã e com os espelhinhos. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Daí, pergunto novamente: vocês agora veem a maçã toda? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Todos me respondem em uníssono: agora sim, professor! </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Só que eu não fico satisfeito. Pergunto-lhes se veem o lado de dentro da maçã. Não? Então os senhores e as senhoras ainda não são capazes de ver a maçã toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Outro engraçadinho tira uma faca da sua mochila (nessa turma fictícia tudo é possível) e me diz: ‘tá bom, então corta o raio dessa maçã ao meio para que a gente veja também o seu lado de dentro. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Obedeço. Corto a maçã ao meio. Levito as duas metades com todos os espelhos. E pergunto: vocês veem toda a parte de dentro de cada uma dessas meias-maçãs? Não? Então ainda não conseguiram ver a maçã toda! </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Uma aluna desesperada tira da bolsa um raio laser (como disse, nessa turma de ficção tudo é possível) e me pede: por favor, corta essa maçã em mil fatias finíssimas e ponha todas as fatias suspensas no ar, assim veremos a maçã toda! </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Novamente, obedeço. O raio laser da menina é poderoso e meu poder de levitação, insuperável. Fatio a maçã toda em mil micro-pedaços, todos ultra-finíssimos, e os disponho no ar ocupando quase todo o espaço aéreo da sala. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Feito isso, pergunto: e agora, vocês veem a maçã toda? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Silêncio. Espanto. Porque a única resposta lógica que podem me dar é outra pergunta: que maçã? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A coisa que chamávamos de “maçã” simplesmente desapareceu. De tanto que a analisamos, isto é, de tanto que a esquadrinhamos e a dividimos em partes para melhor enxergá-la, entendê-la e descrevê-la, nós a destruímos. Só posso ver a maçã toda se acabo com ela – logo, não posso jamais ver a maçã toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O leitor substitua “maçã” por qualquer fruta ou por: “realidade”, “indivíduo”, “sociedade”, “fenômeno”. O resultado é o mesmo. Só consigo perceber a realidade ou algum aspecto dela por determinada perspectiva – a minha – em determinado espaço e em determinado tempo – aqueles em que me encontro. Faltam-me sempre todas as outras perspectivas, de número infinito, bem como o poder divino da onipresença. Em consequência, posso dizer que “a verdade é não-toda”. A verdade é sempre não-toda. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Se aceito essa definição de verdade, entendo por que estou sempre procurando mas nunca posso “achar” a tal da verdade sobre qualquer aspecto da realidade. Como percebo apenas uma parte de tudo, completo a lacuna com suposições de como seria a maçã toda (ou a realidade toda). </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Essas suposições são as nossas ficções necessárias: elas atravessam todos os nossos discursos.</p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=30</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - Ficção demais faz mal?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=29</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Lá estou eu na sala de espera da minha dentista, preocupado com a dor que sentirei daí a minutos. Sim, a doutora usa anestesia, claro, mas a própria anestesia já dói o suficiente para me preocupar. Os minutos parecem horas e o tempo não passa, confirmando a famosa teoria da relatividade. Atraco-me então com uma das revistas da sala de espera, para ver se engano o tempo.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Trata-se de uma revista velha, voltada supostamente para o público feminino. Nela, há uma seção chamada “Consultório Psicológico”, na qual um certo “Dr. César” responde a perguntas. Nesse número, uma leitora angustiada pergunta: “Dr. César, gostaria de saber se a leitura de ficção prejudica o indivíduo e atrapalha a vida prática”. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A resposta do Dr. César me faz esquecer por instantes da minha preocupação. Ele diz, do alto do seu suposto diploma de psicologia:</p><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px"><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px"><blockquote dir="ltr" style="MARGIN-RIGHT: 0px">
      <p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 130%">“Querida leitora: quando o ser humano se envolve demais com ficção, talvez tenha dificuldade de se adaptar à realidade presente. Ficar fora da realidade pode vir por causa da fixação em ficção (excesso de leitura, filmes). Um jovem pode ler romances demais. Fixará então ideias românticas exageradas sobre o relacionamento homem-mulher, e isso o levará a ter uma expectativa ficcionista (fora da realidade) em relação ao casamento. Daí surgem problemas no relacionamento conjugal. Esse é o caso das pessoas que se surpreendem no casamento quando percebem que ele não é quase nada daquela ideia que faziam dele, justamente por uma fixação muito grande em ideias irrealistas sobre a vida conjugal e a felicidade no lar. Porém, parece que o problema principal que as leituras de ficção causam, quando frequentes, é perturbar a pessoa na sua ligação com fatos da realidade, pois naquilo que uma pessoa mais se concentra, com isso mais ela se assemelha. E a vida é a realidade, não a ficção.” </p></blockquote></blockquote></blockquote>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O ilustre psicólogo que atende pelo nome de Dr. César (assim mesmo, sem sobrenome) bem pode ser o pseudônimo de um “foca”, isto é, de um jornalista iniciante que precisa provar suas habilidades de redação escrevendo tanto as cartas das “leitoras” quanto as respostas do “psicólogo”. Ou seja: o próprio Dr. César é muito provavelmente uma ficção também, assim como a “querida leitora”. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas, por ora, vamos desconsiderar essa possibilidade e acreditar que o Dr. César tem esse nome e realmente é um doutor no assunto. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Seu texto não deixa de ser emblemático da confusão que boa parte das pessoas faz com a ficção. Para o nosso doutor, o hábito da ficção explica a desilusão das pessoas casadas que se divorciam em processos dolorosos: elas seriam vítimas de uma ilusão anterior motivada pelo excesso de leitura de romances. No fundo, as pessoas não seriam realmente responsáveis, coitadas, mas sim a literatura. Se o leitor de romances ultrapassa o limite do mero entretenimento, se lê “romances demais”, ele corre o risco ou da desilusão amorosa ou até mesmo da loucura. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Para quem gosta de ficção, como é obviamente o meu caso, esse modo de pensar é absurdo. No entanto, ainda que eu o veja assim, não posso negar que ele seja comum e, mais do que comum, muito antigo. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em 1605, o escritor espanhol Miguel de Cervantes já o satirizava no seu romance mais conhecido: os amigos de Alonso Quijana creem que ele enlouqueceu ao se transformar em “Dom Quixote de La Mancha” e põem a culpa nos seus livros, ou seja, no seu excesso de leitura de romances de cavalaria. Esses amigos resolvem queimar os romances que teriam prejudicado a mente do fidalgo Quijana, mas, ao fazê-lo, ironicamente mostram que eles também leram todos aqueles livros. A ironia se amplia quando percebemos que o episódio da queima de livros de ficção, por prejudiciais à mente, se dá dentro do maior livro de ficção de todos os tempos. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os amigos de Dom Quixote e o Dr. César revelam a convivência ambígua que temos com a ficção. Não é apenas quem faz Letras que gosta de ficção, todos precisamos diariamente de ficção (se possível na veia), mas, para não sermos tachados de loucos como Quixote, fingimos que estamos o tempo todo ligados na tal da realidade. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Só que, das 24 horas do dia, passamos 8 dormindo, ou seja, passamos um terço do tempo sonhando. Ora, o sonho é o exercício necessário de ficção do nosso inconsciente, como Freud demonstrou há muito tempo. Nos outros dois terços do tempo, se formos honestos perceberemos que passamos mais tempo fantasiando, sonhando acordados, caraminholando lá dentro da nossa cabeça, do que prestando atenção nos outros e nas coisas em volta.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Ou alguém acredita que o ilustre passageiro do ônibus lotado fica o tempo todo da viagem pensando no ônibus lotado em que está? Para sobreviver mentalmente, ele tem de pensar na praia, no ventilador de casa, na namorada que não tem mas mesmo assim é linda. Da mesma forma, eu também não acredito, já perdi essa ilusão, que meus alunos passem o tempo todo das minhas aulas à noite com a mente ligada nas minhas palavras. Para sobreviverem psiquicamente, eles também precisam fantasiar: ou que estão no meu lugar (é muito melhor dar aula do que assistir aula) ou que namoram Capitu, Lucíola, quiçá Gabriela, a do cravo e da canela. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Nossos meios de comunicação sofrem do mesmo “problema”. Por exemplo, observe-se a maior rede de televisão do país. Pelo menos 80% da sua programação são compostos de ficção no sentido estrito: desenhos animados, seriados, casos especiais, minisséries, novelas, filmes. Os outros 20% não deixam de se confundir com a ficção, como os “reality shows” e mesmo os jornais televisivos. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O próprio “Jornal Nacional”, para nomear de uma vez, se estrutura como um romance desses de jornaleiro, tipo “Bianca” ou “Sabrina”: os locutores passam 40 minutos narrando notícias negativas, sempre com expressões muito sérias no rosto, para nos últimos 5 minutos, e apenas nesses últimos 5 minutos, contarem, com um sorriso largo no rosto, uma história pitoresca, um gesto generoso de um cidadão, um fato sobre “o Brasil que dá certo”. Não à toa “um casal que deu certo” compõe a dupla principal de locutores do programa.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os romances de jornaleiro são assim mesmo: a mocinha passa 60 páginas sendo humilhada, perseguida e escorraçada para, nas últimas 10 páginas, encontrar o grande amor da sua vida. É totalmente inverossímil, mas que leitor quer verossimilhança? O leitor pede: “me engana, que eu gosto”. Ele se diverte porque a personagem come o pão que o diabo amassou, isto é, sofre bem mais do que ele mesmo, e depois se diverte mais ainda porque ela alcança a felicidade, lhe dando esperança para alcançá-la também: se ela sofre tanto e se dá bem ao final, por que não eu? </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Quando dizemos “me engana que eu gosto”, expressamos a nossa necessidade psicológica e antropológica de ficção. Apenas a ficção dos romances, dos filmes, dos “causos” contados à volta do chopp (como antes à volta da fogueira) pode nos ajudar a enfrentar a realidade finita, essa realidade que limita drasticamente a nossa própria vida. Por isso mesmo, a ficção se encontra presente não somente na ficção em sentido estrito, mas também em todos os discursos que conhecemos: os discursos da ciência, da história, da política, da religião. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Mas esse é assunto para uma próxima crônica. </p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
			<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=29</guid>
			</item>
						  <p><a href="/coluna/coluna.php?seq_coluna="></a></p>
			<item>
			<title>Coluna - O professor pode ser o herói da fita?</title>
			<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=28</link>
			<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A pergunta do título é um pouco irônica, aludindo à desvalorização do lugar do professor na sociedade: escuto-a sempre acompanhada de um risinho de mofa.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Embora tome formas específicas entre nós, este não é um problema exclusivamente brasileiro. O nefasto ditado, “quem sabe, faz, quem não sabe, ensina”, pode ser ouvido em todas as línguas, sugerindo que o professor é um profissional, digamos, menor do que os outros, porque se conforma em não produzir conhecimento para apenas reproduzi-lo. Quantos de nós não despertamos mal disfarçados semblantes de piedade, ao contarmos para a família que resolvemos ser professores? Parece que pensam: coitado, ele podia ser coisa melhor... </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">É essa visão a respeito do professor, negativa mas muito popular, que justifica, em surdina, a manutenção de baixos salários e péssimas condições de trabalho para os professores, principalmente da escola pública, apesar de todo mundo concordar sobre a importância da educação. A contradição entre o discurso da sociedade e a sua prática oficial passa a impressão de que só teremos uma escola de qualidade quando não houver mais professores: nós é que somos o problema... </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O reconhecimento de semelhante percepção negativa responde de modo igualmente negativo à pergunta acima: imagina!, claro que o professor nunca pode ser o herói do filme, no máximo ele será um coadjuvante bem chinfrim. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Todavia, o cinema mesmo não concorda com isso. Qualquer bom espectador de cinema, em especial quem gosta de uma boa sessão da tarde, é capaz de listar dezenas de filmes em que o herói ou heroína é um professor ou professora que com frequência comoverá profundamente toda a plateia. Ora, isso significa que no íntimo todos temos a imagem do professor herói, aquele que muda a nossa vida e nos faz não apenas saber mais, mas também nos faz ser mais, tornando-nos melhores do que éramos. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Quem nunca encontrou esse tipo de professor sente a falta dele por toda a vida, e quem encontrou sonha em reencontrá-lo de algum modo – por exemplo, tornando-se ele mesmo um mestre, ou seja, o professor que fará a diferença na vida senão de todos, ao menos de alguns alunos, e já terá valido a pena.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A contradição se mantém: prezamos mal a profissão de professor, mas a despeito disso sonhamos com o encontro ou o reencontro com um grande professor. Esse encontro ou reencontro também se dá na ficção, literária ou cinematográfica. Pensando apenas nas fitas de cinema, do professor Mark Thackeray de "Ao mestre, com carinho" (1967), vivido por Sidney Poitier, ao professor John Keating, de "Sociedade dos poetas mortos" (1989), vivido por Robin Williams, posso listar dezenas e dezenas de professores heróis. Mas o mais bonito filme de professor, o que mais mexeu com este professor que vos escreve, é pouco conhecido. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Trata-se do filme "Wo de fu qin mu qin" (1999), em inglês "The Road Home", em português "O caminho para casa", dirigido por Zhang Yimou. A tradução do título em mandarim seria algo como "Os meus pais". </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O filme começa em preto e branco, com Luo Yusheng (vivido por Sun Honglei) voltando à aldeia natal para o funeral do pai. A mãe exige o cumprimento de uma tradição em desuso: que o caixão do pai seja trazido do hospital da cidade para ser enterrado na aldeia, mas num cortejo a pé, em pleno inverno rigoroso. O objetivo do cortejo é que o morto não esqueça o caminho de casa. Enquanto tenta demover a mãe, Luo relembra em flashback a história de amor deles, toda mostrada em deslumbrantes cenas coloridas. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O espectador volta junto até 1958, quando Luo Changyu (vivido por Zheng Hao) chega à aldeia para assumir o posto de professor da pequena escola primária. Acima do quadro-negro da escola, a foto de Mao Tsé Tung. Os homens da aldeia constroem juntos a escola, enquanto as mulheres cozinham para eles. À jovem mais bonita do lugar, Zhao Di (vivida por Zhang Ziyi), compete tecer a bandeira vermelha que será enrolada na viga principal do telhado. O professor, depois, não deixará que coloquem laje no telhado, para a viga ficar aparente e assim ele poder olhar sempre para a bandeira enquanto dá aula. Desse modo, o símbolo nacional recebe conotação inteiramente diferente. Já na chegada do professor eles trocam olhares, como mostram as cenas abaixo, e logo se apaixonam.</p>
<p align="center"><img width="350" height="147" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 350px; HEIGHT: 147px" src="/spaw2/uploads/images/colunas/ccasa3.jpg" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><img width="350" height="147" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 350px; HEIGHT: 147px" src="/spaw2/uploads/images/colunas/ccasa2.jpg" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os encontros entre eles, difíceis naquela aldeia tão pequena, tornam-se mais difíceis ainda porque o professor é chamado de volta à cidade pelo governo, sugerindo-se que ele seja um dissidente da revolução cultural de Mao. Não sabemos porque ele seria um dissidente até o final do filme, quando nos é dito que ele criou uma cartilha própria para ensinar as crianças a ler e a escrever. Essa cartilha contém frases muito simples que, todavia, apontam para a necessidade de olhar com os próprios olhos e pensar com a própria cabeça. Isso significa que o professor recusou a cartilha doutrinária do Partido, embora esta cartilha e a recusa não apareçam no filme. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O professor Luo, punido, tem de ficar mais de dois anos longe da aldeia. Zhao o espera com paixão, às vezes permanecendo horas na neve. No meio do inverno, tenta chegar a pé até a cidade, mas desmaia e adoece gravemente. Luo volta por duas vezes, desesperado por encontrar Zhao, na primeira delas desobecendo ao Partido. Em ambas, Zhao sabe que ele voltou porque de sua casa escuta a voz do professor dando aula. Junto com o resto da aldeia, ela vai para o lado de fora para escutar o seu professor, deixando todos emocionados com a sua devoção. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Finalmente eles ficam juntos, sem que o espectador testemunhe sequer um beijo. No entanto, os olhares intensos e a fixação da câmera em detalhes, como a tigela de porcelana em que o professor comia, narram com sobras esse amor absoluto. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Voltamos então ao presente, quando Luo, o filho do professor Luo, se convence a atender o desejo da mãe e contrata homens de outra aldeia para levar o pai de volta para casa. A notícia se espalha e mais de cem homens, a maioria ex-alunos do professor que ensinou por 40 anos, aparecem para participar no inusitado cortejo fúnebre. Ninguém aceita ser pago, nem os que foram contratados. Todos se revezam carregando o caixão a meio de uma forte nevasca, enquanto gritam com o morto para que ele não esqueça o caminho de casa. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Com o professor enterrado, a mãe diz que o desejo do pai é que o seu filho, que não seguiu a carreira, desse pelo menos uma aula na sua vida. Na manhã seguinte, acorda com a voz do filho dando uma aula na antiga escola, e usando a mesma cartilha do seu pai. </p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img width="630" height="272" align="middle" alt="" border="0" style="WIDTH: 630px; HEIGHT: 272px" src="/spaw2/uploads/images/colunas/ccasa1.jpg" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O professor Luo deixa para seu filho, para seus alunos, para os chineses e para os espectadores uma herança, ou melhor, uma cartilha de paixão, independência, dignidade, constância e beleza. Não resisto à tentação de afirmar que essa cartilha só podia ser deixada por um professor. </p>]]></description>
			<author>Gustavo Bernardo</author>
			<pubDate>Wed, 31 Dec 1969 20:59:59 -0300</pubDate>
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			</item>
					  <p><a href="/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=6">Série Carreiras: Odontologia, em 02/04/2009</a></p>
		<item>
		<title>Entrevista - Série Carreiras: Odontologia</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=6</link>
		<description></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=6</guid>
		</item>
				  <p><a href="/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=5">Série Carreiras: Letras, em 21/10/2008</a></p>
		<item>
		<title>Entrevista - Série Carreiras: Letras</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=5</link>
		<description></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
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		</item>
				  <p><a href="/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=4">Série Carreiras: Enfermagem, em 19/09/2008</a></p>
		<item>
		<title>Entrevista - Série Carreiras: Enfermagem</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=4</link>
		<description></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=4</guid>
		</item>
				  <p><a href="/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=3">O Vestibular e a Graduação na Uerj, em 04/09/2008</a></p>
		<item>
		<title>Entrevista - O Vestibular e a Graduação na Uerj</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/entrevista/entrevista.php?seqEntrevista=3</link>
		<description></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
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		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=440"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 10</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=440</link>
		<description><![CDATA[<br />
<br />
 <br />
No segundo parágrafo, são empregados os pronomes éste, nuestra, ello e o advérbio ahí.Indique os referentes de cada uma dessas palavras.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
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		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=418"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 8</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=418</link>
		<description><![CDATA[<br />
Ao final de um campeonato de futebol, foram premiados todos os jogadores que marcaram 13, 14 ou 15 gols cada um. O número total de gols realizados pelos premiados foi igual a 125 e, desses atletas, apenas cinco marcaram mais de 13 gols.Calcule o número de atletas que fizeram 15 gols.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
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		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=511"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 9</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=511</link>
		<description><![CDATA[<br />
O biodiesel, constituído basicamente por um éster, é obtido a partir da reação entre um triacilglicerol e um álcool.<br />
Analise o esquema:<br />
<br />
<br />
Industrialmente, para aumentar a produção de biodiesel, utiliza-se álcool em quantidade muito superior à proporção estequiométrica da reação.<br />
Com base no equilíbrio químico da reação, explique por que quantidades elevadas de álcool aumentam o rendimento do processo industrial. Indique, também, o nome oficial do éster que contém cinco átomos de carbono formado a partir do etanol.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=511</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=445"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 7</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=445</link>
		<description><![CDATA[<br />
Dois alcoóis isômeros de fórmula molecular C5H12O e com cadeia carbônica normal, quando desidratados em condições adequadas, formam em maior proporção um mesmo composto X.O composto X, quando oxidado com uma solução de permanganato de potássio aquecida e acidulada, forma os compostos Y e Z.Identifique o tipo de isomeria plana existente nos dois alcoóis e cite o nome oficial do composto de maior caráter ácido produzido na oxidação de X.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=445</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=447"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 10</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=447</link>
		<description><![CDATA[<br />
A célula a combustível é um tipo de pilha que gera energia elétrica a partir da reação química entre os gases hidrogênio e oxigênio, como mostra o esquema:<br />
 <br />
Para seu funcionamento ininterrupto, a célula precisa ser continuamente alimentada com o oxigênio do ar e com o gás hidrogênio proveniente da seguinte reação química: <br />
 <br />
<br />
Considere os valores abaixo, relativos ao funcionamento da célula sob condições-padrão: <br />
 <br />
<br />
Calcule a força eletromotriz, em volts, da célula a combustível e a variação de entalpia, em kJ, da reação de obtenção do hidrogênio.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=447</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=446"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 8</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=446</link>
		<description><![CDATA[<br />
 Após o consumo de elevada quantidade de bebida alcoólica, uma pessoa bebeu vários copos de água com o objetivo de diminuir a acidez estomacal provocada pelo etanol.Observe os valores das constantes de ionização do etanol e da água nas condições em que foram ingeridos:<br />
 <br />
Tendo em vista o caráter ácido-base do etanol e da água, indique se a opção de beber vários copos de água para amenizar a acidez estomacal foi adequada, justificando sua resposta. Em seguida, escreva a equação química que representa o equilíbrio ácido-base entre o etanol e a água.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=446</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=509"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 6</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=509</link>
		<description><![CDATA[<br />
O oxigênio gasoso pode ser obtido em laboratório por meio da decomposição térmica do clorato de potássio. Em um experimento, o gás foi produzido em um frasco A e recolhido em um frasco B que, inicialmente, continha apenas água. Observe o esquema:<br />
<br />
<br />
Ao final do experimento, verificaram-se as seguintes medidas no interior do frasco B:• volume de gás recolhido: 123 mL• temperatura interna: 27 oC• pressão total no nível da água: 786,7 mmHg• pressão de vapor da água: 26,7 mmHgDetermine a massa de oxigênio gasoso, em gramas, recolhida no frasco B, e apresente a equação química completa e balanceada correspondente a sua obtenção.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=509</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=444"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 5</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=444</link>
		<description><![CDATA[<br />
 O íon cianeto é extremamente tóxico ao ser humano devido à sua capacidade de se combinar com o ferro presente na hemoglobina, impedindo o transporte de oxigênio para o sangue. A equação química a seguir representa um processo de remoção desse íon de águas poluídas.<br />
 <br />
Em um tanque contendo um volume de solução aquosa de hidróxido de sódio igual a 1000 L, foram adicionados 25 mols de cianeto e cloro em quantidade suficiente para completar a reação.Admitindo-se que toda a base e o cianeto foram consumidos, calcule o pH inicial da solução aquosa de hidróxido de sódio e indique as fórmulas químicas dos compostos apolares formados no processo.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=444</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=443"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 4</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=443</link>
		<description><![CDATA[<br />
Na natureza, os ácidos graxos insaturados encontrados em óleos vegetais ocorrem predominantemente na forma do isômero geométrico cis. Porém, quando esses óleos são processados industrialmente, ou usados em frituras repetidas, forma-se o isômero trans, cujo consumo não é considerado saudável. Observe na tabela abaixo os nomes usuais e os oficiais de três ácidos graxos comumente presentes em óleos e gorduras.<br />
 <br />
Em um laboratório, para identificar o conteúdo de três frascos, X, Y e Z, cada um contendo um desses ácidos, foram realizados vários testes.Observe alguns dos resultados obtidos:• frasco X: não houve descoramento ao se adicionar uma solução de / ;• frasco Y: houve consumo de 2 mols de na hidrogenação de 1 mol do ácido;• frasco Z: o ácido apresentou estereoisômeros.Escreva a fórmula estrutural espacial em linha de ligação do isômero do ácido oleico prejudicial à saúde. Em seguida, cite os nomes usuais dos ácidos presentes nos frascos X e Y.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=443</guid>
		</item>
				  <p><a href="/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=508"></a></p>
		<item>
		<title>Questão - 2010 - Exame Discursivo - Questão: 3</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=508</link>
		<description><![CDATA[<br />
O luminol é uma substância utilizada na investigação de vestígios de sangue. O íon ferro III presente no sangue catalisa a reação de conversão do luminol em 3-aminoftalato, provocando a emissão de radiação luminosa por um determinado período de tempo. Observe a equação:<br />
<br />
<br />
Em um processo de busca de vestígios de sangue, no qual foram empregados 3,54 mg de luminol, observou-se a emissão de luz por 1 minuto.Admitindo-se que todo o luminol, cuja massa molar é de 177 g.mol-1, foi consumido durante a emissão luminosa, calcule a velocidade média de formação de água, em g.min-1, e indique o número de oxidação do átomo de carbono primário do 3-aminoftalato.]]></description>
		<author>Revista Eletrônica do Vestibular da UERJ</author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/questao/questao-discursiva.php?seq_questao=508</guid>
		</item>
				  <p><a href="/texto/texto.php?seqTexto=3">DE FRENTE PARA A CIDADE: uma leitura da poesia de Carlos Drummond de Andrade</a></p>
		<item>
		<title>Texto - DE FRENTE PARA A CIDADE: uma leitura da poesia de Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/texto/texto.php?seqTexto=3</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Impossível caminhar na praia de Copacabana sem contemplar a estátua de Carlos Drummond de Andrade sobre um banco do calçadão. A obra, do escultor mineiro Leo Santana, foi construída a partir de uma fotografia de Rogério Reis, em que Drummond, com sua habitual postura tímida, aparece de frente para a cidade e de costas para o mar.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De modo oportuno, a escultura, de frente para a cidade, parece reafirmar um tema frequente na poesia de Drummond: o espaço urbano. Subvertendo a imagem contemplativa que a estátua pode sugerir, a relação do poeta com a cidade é tensa, cética<sup>1</sup> e ambígua. Também oportunamente, a escultura está de costas para o mar, representando a ausência da natureza como tema relevante no fundamental da obra de Drummond. Em Confissões de Minas, que integra livro homônimo, publicado em 1944, ele chega a afirmar que a natureza foi proscrita da poesia moderna.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A mencionada tensão decorrente do confronto do poeta com o espaço urbano já está presente, por exemplo, no poema “Nota social” que integra <i>Alguma poesia</i>, de 1930, primeira publicação poética de Drummond:</p><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">
    <div>O poeta chega na estação. 
    </div>
    <div>O poeta desembarca. 
    </div>
    <div>O poeta toma um auto. 
    </div>
    <div>O poeta vai para o hotel. 
    </div>
    <div>E enquanto ele faz isso 
    </div>
    <div>como qualquer homem da &nbsp;terra, 
    </div>
    <div>uma ovação o persegue 
    </div>
    <div>feito vaia. 
    </div>
    <div>Bandeirolas 
    </div>
    <div>abrem alas. 
    </div>
    <div>Bandas de música. Foguetes. 
    </div>
    <div>Discursos. Povo de chapéu de palha. 
    </div>
    <div>Máquinas fotográficas assestadas. 
    </div>
    <div>Automóveis imóveis. 
    </div>
    <div>Bravos... 
    </div>
    <div>O poeta está melancólico. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Numa árvore do passeio público 
    </div>
    <div>(melhoramento da atual administração) 
    </div>
    <div>árvore gorda, prisioneira 
    </div>
    <div>de anúncios coloridos, 
    </div>
    <div>árvore banal, árvore que ninguém vê 
    </div>
    <div>canta uma cigarra. 
    </div>
    <div>Canta uma cigarra que ninguém ouve 
    </div>
    <div>um hino que ninguém aplaude. 
    </div>
    <div>Canta, no sol danado. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>O poeta entra no elevador 
    </div>
    <div>o poeta sobe 
    </div>
    <div>o poeta fecha-se no quarto. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>O poeta está melancólico.<sup>2</sup> 
    </div>
    <div><br />
    </div></span></strong>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os quatros versos iniciais inscrevem o poeta no universo urbano: ele é obrigado a agir na cidade como qualquer outro cidadão, “como qualquer homem da terra”. Os versos econômicos e o discurso em terceira pessoa (“O poeta” é alguém de fora da poesia) dão a medida do distanciamento crítico. “O poeta” transforma-se em personagem, sufocando a hipótese de identificá-lo com o próprio autor. Da mesma forma, a linguagem entrecortada corta também qualquer resquício de emoção.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A cidade está em festa, contrastando com o poeta melancólico. Esse relato é feito por meio de frases fragmentadas. São “flashes” de uma cidade que tem pressa. Concomitante às referências à cultura tecnológica urbana (“Máquinas fotográficas”, “automóveis”), aparecem raras menções à natureza (“árvore”, “cigarra”). A natureza é refém dos adventos tecnológicos (“árvore... prisioneira / de anúncios coloridos”), e ninguém se importa com isso. Da mesma forma, ninguém mais ouve o canto da cigarra, que, no texto, representa o próprio poeta.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Há, portanto, uma identificação entre o poeta e a natureza: a “árvore banal” é “prisioneira / de anúncios coloridos”; o poeta, “como qualquer homem da terra”, “fecha-se no quarto”, isola-se, pois ninguém mais o ouve. Melancolicamente, de forma cética, talvez se pergunte, como em “Ode ao cinquentenário do poeta brasileiro”: “– mas haverá lugar para a poesia?”</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O poeta/personagem de “Nota social” expressa nostalgia do tempo em que o escritor era endeusado, era dotado de aura. Expressa também a impossibilidade de se escrever poesia na era tecnológica.<sup>3</sup> Esse sentimento do poeta/personagem certamente não corresponde ao do poeta/autor. Drummond sempre fez questão de se distanciar dos holofotes, de rejeitar prêmios e de se colocar como “um homem comum”, como declarou na última entrevista que concedeu:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><i>Minha vida? Acho que foi pouco interessante. O que é que eu fui? Fui um burocrata, um jornalista burocratizado. Não tive nenhum lance importante na minha vida. Nunca exerci um cargo que me permitisse tomar uma grande decisão política ou social ou econômica. Nunca nenhum destino ficou dependendo da minha vida ou do meu comportamento ou da minha atitude.</i></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><i>Eu me considero – e sou realmente – um homem comum. Não dirijo nenhuma empresa pública ou privada. A sorte dos trabalhadores não depende de mim. (Caderno Ideias, Jornal do Brasil, 22/08/1987)</i></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">No poema em análise, fica clara a tensão (e o ceticismo) existente na relação do poeta com o espaço urbano, assim como a incompatibilidade entre poesia e civilização tecnológica. Por outro lado, o poema “Coração numeroso” coloca em relevo o lado positivo da cidade, com evidente apelo erótico, muito presente quando Drummond trata do Rio de Janeiro.</p><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">
    <div>Foi no Rio. 
    </div>
    <div>Eu passava na Avenida quase meia-noite. 
    </div>
    <div>Bicos de seios batiam nos bicos de luz estrelas inumeráveis. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas 
    </div>
    <div>autos abertos correndo caminho do mar 
    </div>
    <div>voluptuosidade errante do calor 
    </div>
    <div>mil presentes da vida aos homens diferentes, 
    </div>
    <div>que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>O mar batia em meu peito, já não batia no cais. 
    </div>
    <div>A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu 
    </div>
    <div>a cidade sou eu 
    </div>
    <div>sou eu a cidade 
    </div>
    <div>meu amor. 
    </div></span></strong>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O diálogo conflitante que esses dois poemas estabelecem demonstra o quanto é ambígua a relação do poeta com o espaço urbano, sobretudo nos versos finais de “Coração numeroso”, em que se opera uma perfeita integração entre o “eu” e a cidade, ao contrário do que se verifica em “Nota social”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Adensando sua postura contraditória em relação à cidade, em “Procura da poesia”, numa sequência de negações, o poeta aconselha:</p><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">
    <div>Não cantes tua cidade, deixe-a em paz 
    </div>
    <div>O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das coisas. 
    </div>
    <div>Não é música ouvida de passagem: rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma. 
    </div></span></strong>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Em contrapartida, sabe-se que nosso poeta cantou várias cidades. Sobretudo as suas cidades: cantou Itabira, cidade natal; cantou o Rio, a que adotou.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Até mesmo os edifícios – símbolos da imponência urbana – foram matéria da poesia drummondiana. Em “Edifício São Borja”, através de um conjunto de referências heteróclitas e sem nexo aparente, o prédio ganhou história e estatuto de “ser”. Em “Edifício Esplendor”, o prédio é uma metonímia, uma pequena amostra do espaço urbano:</p><br /><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">
    <div>Entretanto há muito 
    </div>
    <div>se acabaram os homens. 
    </div>
    <div>Ficaram apenas 
    </div>
    <div>Tristes moradores. 
    </div></span></strong>
<div><br />
</div>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">“Tristes moradores” sem individualidade, inadaptados, com atitudes automáticas como “o elevador sem ternura”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A leitura de “A flor e a náusea” nos dá a medida do tratamento dispensado pelo poeta ao espaço urbano. Esse poema é exemplar, já que expressa toda a dualidade drummondiana em relação à cidade.</p><br /><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">
    <div>Preso à minha classe e a algumas roupas, 
    </div>
    <div>vou de branco pela rua cinzenta. 
    </div>
    <div>Melancolias, mercadorias espreitam-se. 
    </div>
    <div>Devo seguir até o enjôo? 
    </div>
    <div>Posso, sem armas, revoltar-me? 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Olhos sujos no relógio da torre: 
    </div>
    <div>Não, o tempo não chegou de completa justiça. 
    </div>
    <div>O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. 
    </div>
    <div>O tempo pobre, o poeta pobre 
    </div>
    <div>fundem-se no mesmo impasse. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Em vão me tento explicar, os muros são surdos. 
    </div>
    <div>Sob a pele das palavras há cifras e códigos. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Vomitar esse tédio sobre a cidade. 
    </div>
    <div>Quarenta anos e nenhum problema 
    </div>
    <div>resolvido, sequer colocado. 
    </div>
    <div>..................................................... 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Crimes da terra, como perdoá-los? 
    </div>
    <div>Tomei parte em muitos, outros escondi. 
    </div>
    <div>Alguns achei belos, foram publicados. 
    </div>
    <div>...................................................... 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. 
    </div>
    <div>Ao menino de 1918 chamavam anarquistas. 
    </div>
    <div>Porém meu ódio é o melhor de mim. 
    </div>
    <div>Com ele me salvo 
    </div>
    <div>e dou a poucos uma esperança mínima. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Uma flor nasceu na rua! 
    </div>
    <div>Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. 
    </div>
    <div>Uma flor ainda desbotada 
    </div>
    <div>ilude a polícia, rompe o asfalto. 
    </div>
    <div>Façam completo silêncio, paralisem os negócios, 
    </div>
    <div>garanto que uma flor nasceu. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Sua cor não se percebe. 
    </div>
    <div>Suas pétalas não se abrem. 
    </div>
    <div>Seu nome não está nos livros. 
    </div>
    <div>É feia. Mas é realmente uma flor. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde 
    </div>
    <div>E lentamente passo a mão nessa forma insegura. 
    </div>
    <div>Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. 
    </div>
    <div>Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. 
    </div>
    <div><br />
    </div>
    <div>É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. 
    </div>
    <div><br />
    </div></span></strong>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O poema é elaborado qual um filme: sucessivas e repentinas alterações de imagens e lugares justificam sua estruturação e linguagem cinematográfica.<sup>4</sup></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Os versos iniciais mostram o “eu” caminhando pela cidade – situação típica da poesia modernista das primeiras décadas do século XX. O choque e a tensão entre o sujeito e o espaço urbano aparecem no jogo dos adjetivos “branco” / “cinzento”. Depois, ele expõe a oposição entre a melancolia que sente e a profusão de mercadorias – marcas da sociedade industrial, de uma rua comercial, de um centro urbano. Ainda na primeira estrofe, o interesse se volta para os sentimentos e impressões do sujeito, a poesia se interioriza.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Na virada para a segunda estrofe (verso 6), salta-se novamente para uma cena exterior, que só se estabiliza em um verso e, em seguida, parte novamente para reflexões íntimas. Este procedimento se perpetua no decorrer do poema. É aplicada a técnica de montagem cinematográfica, através da justaposição de imagens sem vínculo claro, que cobra do leitor, segundo Walter Benjamin, mobilidade e atenção.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Na quarta estrofe (verso 13), faz-se referência concomitante ao sujeito (“tédio”) e à cidade. A tensão entre ambos aparece na utilização de expressões tais como “vomitar” (e enjoo), o que nos remete à “náusea”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Nos versos seguintes, denuncia-se a prioridade das “mercadorias” e dos “negócios” sobre o que é humano. Fala-se, pois, sobre a falta de liberdade, a violência e a opressão. O sujeito poético apresenta nuances de arrependimento por ter, no passado, composto poemas “com aura”.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">O apogeu do conflito entre o “eu” e o espaço (no sentido amplo) encontra-se na sexta estrofe (verso 19), quando o poeta se vale de termos que pertencem ao mesmo campo de significado de “náusea” e ódio, a partir da observação crítica e cética da cidade. Esse processo só se interrompe no verso 24, que joga com o imprevisível: “Uma flor nasceu na rua!”. Começa a haver uma mudança de perspectiva, que se comprova pela alteração vocabular – as palavras ganham conotação positiva.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">A imagem da flor hegemoniza, então, o texto. Ela é uma metáfora da poesia, aqui exposta de maneira surpreendente, pois concentra atributos inversos aos estabelecidos pela tradição poética – é “desbotada”, sem cor, sem nome, é feia. Retira-se, assim, a aura da poesia (e da flor). “A flor e a náusea” dessacraliza a poesia e o poeta, identificando-os com o homem anônimo das ruas: “Seu nome não está nos livros”, acentuando ainda a relação conflituosa e dramática do poeta com seu tempo/espaço.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Assim, observa-se que a proposta poética de Drummond não é linear. Ao contrário, verifica-se uma oposição permanente, um jogo dialético e irônico com sua própria poesia, de modo a criar um clima de insegurança, de ceticismo e de choque.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">“<b>De frente para a cidade...</b>”, porém sem vê-la de forma homogênea, pois, como já identificaram antes alguns estudiosos da poesia de Drummond, seu texto é marcado pela presença constante da “pedra no meio do caminho” – signo da complexidade, do choque, do esvaziamento de soluções óbvias.</p><br />
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 120%">Notas:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 120%">1 - O ceticismo está sendo tomado aqui de acordo com o filósofo Jean-Paul Dumont, ou seja, como uma postura que se funda na dúvida, na análise, no exame, negando o dogma e reafirmando o relativismo. O artigo completo de Jean-Paul Dumont que usamos como fonte pode ser consultado em <a target="_blank" href="http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/arquivo01.htm">http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/arquivo01.htm</a>.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 120%">2 - As citações foram feitas a partir da coletânea de poemas Nova reunião (Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, volume 1).</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 120%">3 - Recomendamos a leitura de “A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução”, de Walter Benjamin. Nesse ensaio, o filósofo alemão aborda as transformações em torno do conceito de obra de arte provocadas pelas novas possibilidades de reprodução técnica desenvolvidas entre os séculos XIX e XX.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 120%">4 - A linha norteadora da presente análise de “A flor e a náusea” foi originalmente formulada pela professora Marlene de Castro Correia, em Drummond: a magia lúcida (Rio de Janeiro: Zahar, 2002).</p>]]></description>
		<author></author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
		<guid>http://www.revista.vestibular.uerj.br/texto/texto.php?seqTexto=3</guid>
		</item>
				  <p><a href="/texto/texto.php?seqTexto=2">Apresentação comentada de um teorema cinemático deduzido por Galileu em Duas Novas Ciências</a></p>
		<item>
		<title>Texto - Apresentação comentada de um teorema cinemático deduzido por Galileu em Duas Novas Ciências</title>
		<link>http://www.revista.vestibular.uerj.br/texto/texto.php?seqTexto=2</link>
		<description><![CDATA[<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De acordo com a Mecânica Clássica,&nbsp;a velocidade média <i>v<sub>m</sub> </i>de um corpo que parte do repouso e se desloca em movimento retilíneo e uniformemente acelerado, durante um intervalo de tempo &#916;<em>t</em><em>, </em>é igual&nbsp;à metade da velocidade final <i>v </i>alcançada durante esse intervalo de tempo. Ou seja,</p>
<p dir="ltr" align="center"><img height="21" alt="" width="76" align="middle" border="0" src="/spaw2/uploads/images/vm2.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Uma vez que a velocidade média é definida como</p>
<p dir="ltr" align="center"><img height="40" alt="" width="71" align="middle" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img2.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">(onde <i>d </i>é a distância percorrida pelo corpo no intervalo de tempo &#916;<em>t</em>)<em>, </em>a distância <i>d </i>e a velocidade final <i>v </i>estão relacionadas por</p>
<p dir="ltr" align="center"><img height="40" alt="" width="122" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img3_1.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Essa seria a mesma distância percorrida por um corpo,&nbsp;no intervalo de tempo &#916;<em>t, </em>que se deslocasse em movimento retilíneo e uniforme com velocidade <i>v</i>/2.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Galileu<sup>1</sup>,&nbsp;em um fragmento de seu clássico texto, <i>Discursos </i>e <em>demonstrações matemáticas sobre duas novas ciências</em><sup>2</sup>, enuncia e deduz esse fato de modo equivalente, no seguinte teorema:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">O&nbsp;tempo no qual um espaço é percorrido por um corpo que parte do repouso uniformemente acelerado é igual ao tempo no qual esse mesmo espaço seria percorrido pelo mesmo corpo com velocidade constante, de valor igual a metade do maior e último valor alcançado no movimento uniformemente acelerado.</span></strong></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Assim,&nbsp;se um corpo, inicialmente em repouso, é uniformemente acelerado e alcança uma velocidade de valor igual a <i>v, </i>após percorrer uma distância <i>d, </i>o intervalo de tempo &#916;<em>t</em> gasto no percurso é dado por</p>
<p dir="ltr" align="center"><img height="44" alt="" width="84" align="middle" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img04.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como essa equação é equivalente à equação 1, o teorema enunciado por Galileu expressa de outro modo o resultado cinemático apresentado no primeiro parágrafo deste texto.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Vejamos como Galileu, raciocinando&nbsp;por meio de grandezas físicas representadas por figuras geométricas, deduz o teorema. A&nbsp;figura completa do texto de Galileu para deduzir o teorema será decomposta e apresentada por partes, no decorrer dos&nbsp;comentários.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">Representemos por meio do segmento de reta <em>AB</em> o intervalo de tempo durante o qual um corpo, partindo do repouso em <em>C</em>, percorrerá o espaço <em>CD</em> em movimento uniformemente acelerado; seja o final e maior valor da velocidade adquirido durante esse intervalo de tempo representado pelo segmento de reta <em>EB</em>, que forma um ângulo reto com <em>AB</em>; ...</span></strong></p>
<p dir="ltr" align="center"><img height="205" alt="" width="98" align="middle" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img05.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Isto é, <img height="17" alt="" width="54" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img06.JPG" />é a distância a ser percorrida, <img height="16" alt="" width="58" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img6.JPG" />é o intervalo de tempo gasto no percurso e&nbsp;<img height="15" alt="" width="51" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img7.JPG" /> é a velocidade final alcançada durante o intervalo &#916;<em>t</em>.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">... traçado o segmento de reta <em>AE</em>, todos os segmentos de reta que partem de pontos eqüidistantes sobre <em>AB</em> e paralelos a <em>BE</em>,<em>&nbsp;</em>representarão os valores crescentes de velocidade a partir do instante <em>A</em>. ...</span></strong></p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="203" alt="" width="88" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img8.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Por instante <em>A </em>deve-se entender o instante de tempo em que o corpo começa a se movimentar. </p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">De fato, como os triângulos formados pelos segmentos paralelos a <em>EB </em>e o vértice <em>A </em>são semelhantes, a razão entre os catetos de cada triângulo é constante e representa a aceleração do corpo móvel, uma vez que no movimento uniformemente acelerado os acréscimos dos valores de velocidade são proporcionais aos respectivos intervalos de tempo, e a constante de proporcionalidade é a aceleração do móvel.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">... Dividamos ao meio o segmento <em>EB </em>no ponto <em>F </em>e tracemos <em>FG</em> paralelo&nbsp;a <em>AB </em>e <em>GA </em>paralelo&nbsp;a <em>FB</em>, formando assim o paralelogramo <em>AGFB</em>, de área igual à do triângulo <em>AEB</em>, uma vez que o lado <em>GF </em>divide ao meio o lado <em>AE</em> no ponto <em>I</em>. ...</span></strong></p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="204" alt="" width="82" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img9.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">&nbsp;</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Assim, <img height="16" alt="" width="130" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img10nova2.JPG" />, e a área do triângulo&nbsp;<em>AEB</em> é igual à do paralelogramo <em>AGFB.</em></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">... Se, por outro lado, prolongarmos os segmentos paralelos do triângulo&nbsp;<em>AEB</em> até <em>IG</em>, a soma dos comprimentos de todos os segmentos contidos no quadrilátero&nbsp;<em>AGFB</em> será igual à soma dos comprimentos daqueles contidos no triângulo <em>AEB</em>, visto que os segmentos do triângulo&nbsp;<em>IEF</em> são iguais àqueles contidos no triângulo <em>AGI</em>,&nbsp; enquanto aqueles contidos no trapézio&nbsp;<em>AIFB</em> são comuns. Uma vez que todo instante do intervalo de tempo&nbsp;<em>AB</em> corresponde a um ponto do segmento <em>AB</em>, os&nbsp; segmentos&nbsp; paralelos traçados a partir desses pontos no interior do triângulo&nbsp;<em>AEB</em> representam os valores crescentes da velocidade, enquanto os segmentos contidos no paralelogramo&nbsp;<em>AGFB</em> representam os valores de velocidade que não crescem, mas que se mantêm constantes; é evidente que a soma dos valores de velocidade, no caso do movimento acelerado, é representada pela soma dos segmentos crescentes do triângulo <em>AEB</em>, enquanto, no caso do movimento uniforme, é representada pela soma dos segmentos paralelos do paralelogramo <em>AGFB</em>. Com efeito, os valores de velocidade que faltam na primeira metade do movimento acelerado (aqueles que são representados pelos segmentos do triângulo&nbsp;<em>AGI</em>) são compensados por aqueles representados pelos segmentos do triângulo <em>IEF</em>. ...</span></strong></p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%">&nbsp;</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="210" alt="" width="87" border="0" src="/spaw2/uploads/images/imagem_galileu.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Seja no paralelogramo, que representa um movimento uniforme, ou no triângulo, que representa um movimento uniformemente acelerado, dividir o lado que representa o intervalo de tempo &#916;<em>t</em> do percurso em um grande número de pequenos segmentos iguais (que representam pequenos intervalos de tempo), em seguida, somar os correspondentes segmentos que representam os valores de velocidade em cada pequeno intervalo, e multiplicar o resultado (soma) pelo valor de cada pequeno intervalo de tempo, obtém-se as distâncias totais percorridas pelo corpo no intervalo de tempo &#916;<em>t</em>. Ou seja, as áreas das figuras geométricas (paralelogramo e triângulo) correspondem às distâncias percorridas pelo corpo nos respectivos movimentos.</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">Como a área do paralelogramo <em>AGFB</em>, que representa a distância (d) percorrida por um corpo em movimento retilíneo e uniforme com velocidade constante de valor&nbsp;igual a <img height="16" alt="" width="130" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img10nova2.JPG" />, durante um intervalo de tempo <img height="16" alt="" width="76" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img12.JPG" />é igual a área do triângulo <em>AEB</em>, que corresponde à distância <em>(d)</em> percorrida por um corpo em movimento retilíneo&nbsp;uniformemente acelerado, a partir do repouso, durante o mesmo intervalo de tempo &#916;<em>t</em>,</p>
<p align="center" style="LINE-HEIGHT: 180%"><img height="66" alt="" width="297" border="0" src="/spaw2/uploads/images/img13.JPG" /></p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%">pode-se concluir, como Galileu, que:</p>
<p align="justify" style="LINE-HEIGHT: 180%"><strong><span style="COLOR: rgb(255,102,0)">... Portanto, é evidente que espaços iguais serão percorridos em tempos iguais por dois corpos, um dos quais, partindo do repouso, desloca-se com movimento uniformemente acelerado, enquanto o outro, em movimento uniforme, desloca-se com&nbsp; valor de velocidade igual à metade do valor máximo de velocidade atingido pelo primeiro.</span></strong></p>
<p align="justify"><strong>Notas:<br /><sup>1&nbsp; </sup></strong>Nascido em Pisa, Itália, em 1564, Galileu Galilei é considerado o fundador da ciência moderna.<br /><strong><sup>2</sup> </strong><em>Discorsi e dimostrazioni matematiche intorni&nbsp;à due nuove scienze attenenti alla mecanica ed i movimenti locali</em>, publicado em 1638 pelo editor holandês Luis Elsevier. O texto de Galileu, conhecido também simplesmente como Duas Novas Ciências, foi escrito na forma de diálogos entre três personagens, dois dos quais (Salviati e seu amigo Sagredo) refletem o ponto de vista de Galileu, e um terceiro (Simplício),&nbsp;as idéias de Aristóteles sobre o movimento dos corpos. As duas ciências referem-se, respectivamente,&nbsp;aos estudos da resistência e do movimento dos corpos sólidos. O texto aqui utilizado foi extraído da tradução em lingua inglesa de H. Crew e A. de Salvio, Dover (1954).</p>]]></description>
		<author></author>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
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