Revista do Vestibular da Uerj
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Ano 12, n. 32, 2019
ISSN 1984-1604

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Artigos

Série Carreiras: Química, por Marco Antonio da Costa e Fernando Altino Medeiros Rodrigues

Ano 9, n. 25, 2016

Autor: Marco Antonio da Costa e Fernando Altino Medeiros Rodrigues

Sobre o autor: Marco Antonio da Costa é mestre em Engenharia Ambiental e doutor em Meio Ambiente. Professor do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é o atual diretor da Unidade. Sua pesquisa de doutorado propõe um plano integrador de atendimento a emergências com produtos químicos perigosos para a área do Complexo Petroquímico que está em fase de instalação no estado do Rio de Janeiro. Fernando Altino Medeiros Rodrigues é mestre em Engenharia de Produção e doutor em Meio Ambiente. Professor do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é o atual vice-diretor da Unidade. Na área ambiental, atua principalmente nos seguintes temas: gestão ambiental, auditorias ambientais, licenças ambientais, comunicação ambiental, gerenciamento de resíduos e tratamento de efluentes.

Publicado em: 07/11/2016

Revista do Vestibular: Os senhores são professores – e os atuais diretores – do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio do Janeiro (IQ-UERJ). Contem-nos um pouco sobre suas trajetórias profissionais.

Marco Antonio da Costa: Minha opção pela química vem quase de berço, pois minha primeira residência ficava no mesmo terreno da fábrica de produtos químicos onde meu pai trabalhava. Cresci praticamente dentro dessa fábrica, logo não foi difícil optar por esse caminho profissional. Com dois anos de formado, já era professor do IQ-UERJ, meu maior título. Em 1993, participei da primeira eleição direta da Universidade, tento sido eleito vice-diretor do Instituto. Tenho orgulho de ter contribuído em diferentes momentos para a administração desta Unidade Acadêmica, em especial nos últimos dez anos, quando a vi dar um salto de qualidade com a implantação dos cursos de mestrado e de doutorado.

Fernando Altino Medeiros Rodrigues: Minha trajetória profissional começa, efetivamente, ao passar no vestibular de engenharia química da UERJ. Foi o curso de engenharia química que me transformou em um profissional da química. Inicialmente, atuei na indústria, na área de produção e de meio ambiente; depois, ingressei no magistério de nível superior e em atividades relacionadas à consultoria na área de meio ambiente.

Revista do Vestibular: O Instituto de Química oferece duas habilitações: licenciatura e engenharia. Como os senhores analisam o mercado de trabalho oferecido para os profissionais formados? Onde e como irão atuar?

Marco Antonio e Fernando: O mercado vive um bom momento. Há uma carência de profissionais no magistério de química. Há também muita demanda para todas as engenharias, mas acredito que a engenharia química seja uma das mais valorizadas em função do crescimento brasileiro na área do petróleo. É grande o volume de investimentos no setor petroquímico no estado do Rio de Janeiro, o que se reflete em nossa Universidade: a engenharia química ficou entre as quatro primeiras carreiras mais procuradas em nosso último vestibular. Consideramos, por isso, um erro estratégico o fato de o novo modelo de avaliação para ingresso na maioria das universidades – não é o caso da UERJ – não fazer cobrança específica de química, nem para os cursos da área médica nem para os próprios cursos de química.

Revista do Vestibular: Os senhores desenvolvem pesquisas especialmente voltadas para a área do meio ambiente. Qual a abrangência desse campo de estudos na Química? Que demanda existe no país para esse tipo de pesquisa?

Marco Antonio e Fernando: Até algum tempo atrás, as pessoas não se davam conta de que os tão necessários polímeros, fármacos e defensivos agrícolas, por exemplo, são produtos químicos que requerem manuseio técnico específico. A química também era muito mais vista como uma vilã do meio ambiente. Com o interesse crescente pela temática ambiental – uma área fundamentalmente interdisciplinar –, a química tem sido chamada a antecipar soluções. Químicos e engenheiros químicos têm um protagonismo na dita agenda marrom, que trata, especialmente, das questões ambientais relacionadas às atividades empresariais. Podem-se citar, como exemplos, a importância do aprimoramento de técnicas de tratamento de efluentes, que são os produtos resultantes de atividades industriais ou dos esgotos domésticos urbanos, e a avaliação de áreas ou mananciais hídricos contaminados, com o objetivo de minimizar os impactos produzidos sobre o meio ambiente.

Revista do Vestibular: Quais as maiores dificuldades que o jovem graduado em Química vai enfrentar na vida profissional? E quais as maiores alegrias?

Marco Antonio e Fernando: A maior dificuldade sempre será, sem qualquer dúvida, manter-se atualizado. Há em todas as profissões – e para os químicos isso é muito presente – a necessidade de atualização permanente. Tanto os licenciados quanto os engenheiros devem prosseguir seus estudos em nível de pós-graduação. A maior alegria, sem dúvida, é sentir que se fez a escolha certa e ser feliz na sua atividade profissional. No caso dos químicos brasileiros, uma grande alegria é perceber sua importância para um real desenvolvimento do nosso país.

Revista do Vestibular: Gostaríamos que os senhores deixassem uma mensagem para os candidatos do Vestibular Estadual que desejam cursar Química.

Marco Antonio e Fernando: Em primeiro lugar, saibam que estão fazendo uma escolha por uma carreira técnica. Ninguém será um bom profissional da química sem alcançar um sólido conhecimento dos conceitos e conteúdos da área. Hoje, há muitas oportunidades nesta área, e um profissional bem-preparado se destaca. Na UERJ, em 2004, houve uma reforma curricular que só fez ampliar a excelência dos nossos cursos. Além da implantação dos programas de pós-graduação, contamos também com programas de iniciação científica e de iniciação à docência. No mais, estudem bastante, boa sorte e principalmente: sejam bem-vindos ao Instituto de Química da UERJ.

 

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